sábado, 5 de maio de 2012

em breve

Em breve tentarei publicar a minha primeira viagem a Santiago realizada no ano 2000, no qual fiz o Caminho Português.

Pórtico da Glória



Os pórticos das entradas e abóbodas das naves eram pintados ou tinham esculturas, porque além da arte possuiam um fim didáctico e pedagógico de modo a transmitir os ensinamentos, neste caso, do cristianismo, tendo em conta a grande quantidade de população analfabeta. Neste sentido, além da magnifica obra da escultura romana, criada pelo Mestre Mateo, em 1188, o Portico da Gloria da Catedral de Santiago de Compostela é o ensinamento cristão do Antigo ao Novo Testamento. Pela primeira vez na Idade Media o autor criou figuras com expressões e animação, figuras que falam, cantam, sorriem e constituem uma atmosfera mística e religiosa. Breve explicação do Portico da Glória O arco central é uma representação da Cidade Celeste nos símbolos provenientes do Apocalipse de São João, no Livro IV de Esdras, e nos elementos apocalípticos contidos nos profetas Isaías, Ezequiel y Daniel. Em volta do Salvador vemos os quatro evangelistas em atitude de escrever o Evangelho, sobre cada um dos seus animais simbólicos: São Mateus, debaixo São Marcos, à esquerda São João e debaixo São Lucas. Coluna da esquerda figuras que representam personagens do Antigo Testamento: Moisés, com as Tábuas da Lei; Isaías; Daniel, sorridente como anunciador da vinda do Salvador… e Jeremias com seu rosto triste pelo sofrimento... Coluna da direita figuras dedicadas ao Novo Testamento aí encontramos São Pedro com as chaves na mão; São Paulo descalço; Santiago e São João, sobre uma águia… Coluna de Parteluz Vemos a estátua do Apóstolo Santiago, como patrono, acolhendo os peregrinos. A genealogia humana de Jesus, José a David, Salomão até à Mãe, e a geração eterna de Cristo, o Pai, que o acolhe, e o Espírito Santo. Atrás da coroa do apóstolo estão representadas as tentações de Cristo. Arco lateral esquerdo vemos representado um tema do Antigo Testamento: A expansão messiânica. Inspirado no livro IV de Esdras, (cap. 3,1-27). Deus o criador ao centro, Adão e Eva, Noé, Abraão, Isaac, Jacob, Moisés e o rei David... a representação das 10 tribos de Israel mais Judá (tribo de Cristo), Benjamim e o episodio da Babilónia. Arco lateral direito está representado o dia do Juízo Final.

o Botafumeiro

O Botafumeiro (incensário), é uma das curiosidades mais conhecida pelos peregrinos, é o elemento histórico e popular da Catedral de Santiago de Compostela. Acredita-se que o início da sua utilização, data dos séculos XIII e XIV. Poucas pessoas sabem que o gigantesco incensário que balança na nave durante as missas dos peregrinos e outros actos importantes, tem uma origem humilde e prática. Quando a peregrinação a Santiago converteu-se numa verdadeira rota e chegavam milhares de pessoas saturando a catedral, provocava no seu interior um desagradável odor motivado pelo cheiro das roupas dos peregrinos impregnadas de sua transpiração realizada durante a sua caminhada. Este grande incensário tornou-se também um símbolo sobre toda a purificação espiritual. Para ser movido, necessita de um grupo de oito homens conhecidos como “tiraboleiros” que se vestem de roxo e são treinados para efectuar o referido manuseio através cordas, o que vem a causar a admiração dos peregrinos que se encontram no interior da Catedral. A origem da palavra “tiraboleiro”, está vinculada ao latim “thuribulum” que significa “lançador de fumo” Segundo alguns historiadores, no século XVI o rei Luis XI da França presenteou a Catedral com um incensário construído em prata no estilo renascentista. Também nesse século, com a finalidade de facilitar a sua utilização, foi que se construiu sob a cúpula da igreja um mecanismo de polias desenhado por Juan Bautista Celma que permite o perfeito funcionamento do Botafumeiro. Uma vez o mesmo desgastado pelo seu uso, é recolhido ao museu catedralício. O mais antigo deles que se conserva, data de 1851 e o outro de 1971, presente da Irmandade de Alféreces Provisionales. O actual Botafumeiro tem 1,60 metros de altura e 80 quilos de peso, obra de José Losada é de latão prateado e foi construído em Santiago de Compostela em meados do século passado. Somente caiu quatro vezes sem nunca ter ocorrido nenhum acidente de ordem pessoal, temos informação que uma das quedas foi no ano de 1499, em presença de Doña Catalina, que ia a caminho da Inglaterra para casar-se com o Príncipe de Gales, também em 23 de Maio de 1622, é o que conseguimos encontrar com referencia a esses acontecimentos.

A Porta Santa

A Porta Santa está localizada na traseira da Catedral de Santiago, na Praça da Quintana, oposta à praça do Obradoiro e com as praças laterais de Praterias e da Azabacheria. A Porta Santa (actualmente é em bronze, antes era uma parede de pedras que era demolida em todos os anos santos) é a meta dos peregrinos que chegam a Santiago em busca do Jubileu. É aberta a 31 de Dezembro do ano anterior ao Ano Santo, aquele em que o dia 25 de Julho, dia de Santiago, coincide com o domingo. Foi construida em 1611 e aberta em 1666, sec XVII, sobre ela pode ver-se o Apostolo Santiago os seus discipulos Teodoro e Atanásio. Em ambos os lados da porta estão 24 estatuas (anciães do apocalipse). Obra romanica construida por Mestre Mateo. Também conhecida por “Portico do Perdão ou Porta dos vinte sete sabios.Por este pórtico temos acesso a um pequeno pátio e ao fundo está a Porta Santa, tapada por uma parede de pedras, cuja a dureza simboliza o esforço e a dureza dos caminhos peregrinos. Ritual da abertura da porta santa Na tarde de 31 de Dezembro do ano anterior ao ano santo há um ritual de abertura da Porta. Uma procissão religiosa com o Arcebispo e autoridades políticas, às vezes o Rei, chegam-se à Porta batem 3 vezes com um martelo de prata e pedem ao Apostolo permissão para entrar, perguntando: "Podem os pecadores entrar na Casa do Deus? Derrubando em seguida o muro de pedras. Há uma segunda porta na fachada Este da praça da Quintana que é a Porta Real, que é a entrada utlizada pelos Reis de Espanha á Catedral.

Catedral de Santiago

A catedral de Santiago de Compostela é um dos principais pólos da peregrinação católica e de outros viajantes. No sec. IX, o bispo Teodomiro de Iria Flavia identificou um pequeno templo romano com o sepulcro do Apóstolo São Tiago, em consequência desse descobrimento, o rei Alfonso II mandou erguer um templo em volta da referida construção pagã. No ano de 899, Afonso III mandou construir uma basílica sobre o templo erguido por seu antecessor. O aumento das peregrinações dá origem a uma nova construção iniciada no ano de 1075, no reinado de Alfonso VI, o templo que vemos hoje. De estilo românico com planta de cruz latina e três naves, (características das igrejas de peregrinação que apareceram no período das cruzadas) capelas laterais que se dispõem em ordem ao longo de todo o templo possuem um espaço com individualidade própria, da época românica conservam-se apenas algumas capelas do deambulatório. A fachada da Acibechería é neoclássica. A fachada das Praterias é românica. A Porta Santa é barroca (1611) com relatos biblicos. A fachada do Obradoiro é de estilo barroco, destacando-se as grandes janelas do corpo central, das maiores anteriores à Revolução Industrial. A catedral é declarada Monumento Histórico-Artístico em 1986. Para quem não tiver muito tempo e quiser ter uma visão geral do interior, o melhor ponto de observação é a partir da parte posterior do altar-mor, onde se encontra uma imagem de Santiago. A catedral de Santiago é importante pelo que mostra e pelo que esconde. planta da catedral de santiago

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ano Jacobeo ou Ano Santo Compostelano

Para se compreender a origem e a importância do Ano Santo, é preciso conhecer o contexto histórico e religioso dentro do qual ele nasceu. Foi no ambiente cultural e social da Idade Média Europeia, sob a omnipresente influência da Igreja, a consciência do pecado e a necessidade de libertar-se da sua culpa, eram sentimentos bem mais concretos e mais importantes na mente da população do que são hoje. E, possívelmente, também baseado no Ano Sabático do Judaismo em que o Ano Jubilar era o último Ano Sabático, de uma série de 7x7 Anos Sabáticos, e o seu objectivo era dar liberdade a todas as pessoas e coisas do país. O israelita escravo teria direito à libertação... Na época medieval a Igreja concedia indulgência, isto é, o perdão dos pecados, em algumas situações, tais como: • Os fiéis que participavam nas Cruzadas. • Os que ajudavam a construir um templo. • As pessoas que peregrinavam a um santuário (a pé ou a cavalo) para prestar culto às relíquias de um santo. • Havia algumas bulas papais que davam permissão a que pessoas de classes mais altas enviassem alguém para peregrinar em seu lugar. Obtinham assim o perdão "por procuração", sem precisar realizar pessoalmente a caminhada. O papa Calixto II elevou a cidade de Santiago de Compostela à dignidade metropolitana (sede de um arcebispado) e, em 1119, concedeu à Catedral de Santiago o privilégio do Jubileu Pleníssimo ou Ano Jubilar, mais conhecido como Ano Santo. Isto significa que o peregrino que caminhar a Santiago durante um ano decretado como Santo, terá todos os seus pecados perdoados. Calixto II tinha importantes vínculos com a Espanha: era cunhado de Dona Urraca, influente e poderosa rainha de León e Castela. Ela era filha do rei Alfonso VI, e mãe do rei Alfonso VII, dois monarcas espanhóis que muito apoio deram às peregrinações a Compostela. Além de conceder o Jubileu, o papa declarou a Peregrinação a Compostela como uma das chamadas peregrinações maiores, juntamente com as de Roma e Jerusalém (cujos peregrinos eram chamados respectivamente de romeiros e palmeiros). O primeiro Ano Santo, no qual foi dado o perdão aos peregrinos de Compostela, foi o ano 1126. O Papa Alexandre III em 1179, decretou perpétuo o Jubileu de Santiago de Compostela. Seu objectivo foi prestigiar o santuário e proporcionar aos fiéis peregrinos um meio de obter o perdão de seus pecados. Em 1332 o papa João XXII, em Avignon, editou uma bula concedendo indulgência também às pessoas que ajudassem os peregrinos compostelanos com hospedagens ou com esmolas. É considerado Ano Santo Compostelano todo aquele em que o dia 25 de Julho, dia do martírio de São Tiago, coincidir com o Domingo. Além destes, em ocasiões especiais, pode ser declarado um Ano Santo Compostelano extra, como já ocorreu, por exemplo, em 1885 e em 1938. O Ano Santo Compostelano, portanto, não só é frequente, como é mais antigo que o conhecido Ano Santo Romano, que foi decretado pela primeira vez no ano 1300. Tradicionalmente, durante o Ano Santo Romano estão suspensas todas as outras indulgências não ligadas directamente à cidade de Roma. Porém, pela sua importância, a única indulgência que jamais é suspensa é aquela relacionada à peregrinação a Santiago de Compostela. Próximos Anos Santos Compostelano: 2004, 2010, 2021, 2027, 2032, 2038, 2049, 2055, 2060, 2066, 2077, 2083, 2088, 2094…

 “...Encomendo os frutos deste ano Jacobeu a Nossa Senhora do Céu, que acompanhará aos peregrinos em seu itinerário penitencial e lhes acolherá sorridente a sua chegada ao Pórtico da Glória. Que com sua ajuda, e pela poderosa intercessão do Apóstolo Santiago, os queridos filhos da Galícia e da Espanha, assim como os vindos de outras terras, progressem material e espiritualmente, em um clima de solidariedade para com os mais necessitados e de paz com todos. Vaticano, 29 de Novembro de 1998, primeiro domingo do Advento. “JOANNES PAULUS II

Credencial e Compostelana


A Credencial


 A credencial tem origem nas "cartas de apresentação" e "salvo-condutos" que os peregrinos levavam, na época medieval e que lhes concediam certos privilégios. Mas quem não conseguisse obter uma credencial oficial, podia pedir ao pároco da paróquia uma carta que atestasse que ía peregrinar a Santiago dentro do “espírito cristão”, com o carimbo da certificação. Outra possibilidade era fazer um “Diário de Peregrinação” num caderno, com algumas folhas dedicadas aos carimbos para marcar a presença da nossa passagem. Coisas simples, práticas, originais e fáceis de utilizar, sem confusões, sem complicações e que cumpria o objectivo. O importante era ir ao caminho... Agora, no ano da graça de 2010, pelo que ouço, as coisas parecem que são um bocadinho diferentes... mas adiante... O importante é obtermos a credencial, não interessa onde, nem como... e partirmos para os caminhos. A credencial: - Identifica-te como peregrino / viajante. Indica o local onde iniciaste o caminho, a data de partida e a data de chegada a Santiago. - Deve ser carimbada diariamente nos lugares por onde passas (albergues, igrejas, associações, instituições, bares, tascas, cafés e por aí fora). - Podes obtê-la, ou solicitá-la nas Paróquias, Associações de Amigos do Caminho de Santiago, Albergues de Peregrinos (Espanha), ou outras entidades reconhecidas pela Oficina do Peregrino. Permite: - Acesso aos Albergues de Peregrinos, - Acesso à Rede Nacional da Pousadas da Juventude de Portugal (desconto 10% substituindo o Cartão de Alberguista), - Levantar a “Compostela” na oficina do peregrino em Santiago, Rua Vilar 1 (Junto à Catedral.) .

 A Compostela


A Compostela é um documento entregue pela “Oficina de Acogida de Peregrinos”, em Santiago de Compostela, a todos os peregrinos que a desejem e que provem, através da apresentação da redencial (devidamente carimbada pelos albergues onde passaram) que percorreram pelo menos 100km do Caminho de Santiago (a pé ou a cavalo) ou 200km de bicicleta. É uma espécie de diploma de participação que comprova que o peregrino chegou ao destino por "pietis causa".


Existe ainda a Finesterrana para os peregrinos que levam a peregrinação ate ao Cabo Finisterra, mas que eu não vou aqui especificar a sua origem, mas que se resume ao um documento muito parecido a Compostelana que é entregue aos peregrinos que façam a peregrinação ate ai. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Símbolos do Peregrino

Concha ou Vieira

Concha é o símbolo por excelência do peregrino. Serve qualquer uma e pode ser pendurada em qualquer lugar mas o mais comum é vê-las penduradas nas mochilas dos peregrinos que vão a pé ou nas bagagens dos peregrinos de bicicleta. Segundo as informações colhidas, a mesma significa protecção e busca de conhecimento e devemos devolve-la ao mar depois de termos feito o caminho, o que significa que o nosso caminho só estará completo quando chegarmos a Finisterra, segundo alguns!!!.... Assim agradecemos pela protecção e dizemos que o conhecimento adquirido não é nosso mas sim de todos, e que o disponibilizamos a todos. Não faltarão peregrinos que perguntarão porque as conchas (vieiras) têm tanto significado jacobeu. Muitas lendas, histórias e anedotas se contam.
Uma versão está ligada à chegada do corpo de Tiago trazido pelos seus discípulos Teodoro e Atanásio num barco sem leme nem vela, guiados por um anjo à Vila de Arosa na actual Galicia. No ano de 1532 apareceu a primeira narração sobre um suposto milagre que havia originado esse antiquíssimo costume. “Um príncipe vinha cavalgando e partindo de terras longínquas com o único objectivo de conhecer e orar frente a tumba do Apostolo Santiago quando sofreu um ataque de uma serpente. O seu cavalo começou a corcovar e pondo-se a galope correu com a sua montaria em direcção ao mar. O animal arrojou-se à água com o seu cavaleiro, o príncipe a ponto de afogar encomendou sua alma a Santiago. Minutos depois, seu corpo emergiu das águas totalmente coberto de conchas de vieira. A partir desse momento os peregrinos a Santiago se identificaram com as conchas marinhas.

A origem verdadeira, e mais lógica, parece derivar-se do facto que os peregrinos que regressavam de Finisterra – fim do mundo conhecido naquela época – deviam mostrar aos seus familiares e amigos, alguma prova ou símbolo que testemunhasse terem cumprido com êxito a sua peregrinação até Compostela.
O mar era um grande desconhecido dos europeus, habitantes da parte central, como eles sabiam que o Santo Sepulcro de Santiago estava perto da costa, nada mais justo que os peregrinos, ao regressarem a casa, levassem uma concha como recordação e testemunho da sua peregrinação. Daí o costume de colherem uma concha junto ao mar, onde iam depois de terem orado junto a tumba do Apostolo.
Dessa aventura marítima, nasce o mito que fez das conchas de vieira um dos símbolos dos peregrinos a Santiago de Compostela. É assim que desde a Idade Média, a concha de vieira, posta no peito, se tornou a marca inequívoca que permitia o acesso às hospedarias.
Cruz de Tau
O Tau é uma cruz com a forma da letra grega TAU (T). Além de ser um símbolo protector e Bíblico é a última letra do alfabeto hebraico e a 19ª do grego, derivado dos Fenícios e correspondente ao "T" em Português. O Tau é a mais antiga grafia em forma de cruz e significa: Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da mente direccionada para um grande bem.
O Tau, é a convergência das duas linhas: verticalidade e horizontalidade, significam o encontro entre o Céu e a Terra. O Divino e Humano. Em 1215 o Papa Inocêncio III prega um novo símbolo cristão e São Francisco, estando presente nessa reunião, assume o Tau como símbolo de sua Ordem Religiosa, a Ordem dos Frades Menores. Santa Clara, quando tratava dos doentes e enfermos com a imposição do TAU, invocava a Deus que curasse aqueles que padeciam e sofriam.

Cruz de Santiago
A Cruz de Santiago’ é o simbolo da Ordem Militar e Religiosa de Santiago, fundada no ano de 1160, no reino de leão, por 12 Cavaleiros no reinado de D. Fernando II, para defender os peregrinos que iam ao sepulcro do Apostolo Santiago em Compostela, fazendo o Caminho de Santiago a fim de receber o jubileu atravesando a Porta Santa da Catedral de Santiago como está descrito noCódice Calixtino.




Cajado com
Vieira e  Cabaça
A cabaça era (e pode ser) usada para transporte de água ou vinho, hoje utilizamos o cantil ou as garrafas plásticas, por serem mais práticas e leves, assim a cabaça passou a ser mais um simbolo.
Embora hajam muitos peregrinos que não utilizam este instrumento do caminho, o Cajado além de ser um simbolo, pode ser de grande utilidade, embora hoje se utilizem umas modernices, levezinhas, mas sem a maoir parte das utilidade e funções que descrevemos, vejamos então:´
Usada como vara de saltos serve para atravessar cursos de água
Pode servir para puxar alguém que caiu a um rio ou poço;
Colocada aos ombros de dois peregrinos serve para transportar qualquer coisa, dividindo o peso pelos dois;
Com uma peça de roupa atada e agitando-se no ar serve para chamar a atenção ao longe;
Quando alguém se magoa num tornozelo, serve como muleta;
Serve para medir a profundidade de ribeiros, lagos ou tanques;
Segura com as duas mãos em cima das nádegas e por baixo da mochila, ajuda a aliviar o peso desta nas costas;S
erve de apoio, equlibrio e marcação de ritmo ao peregrino;
Com uma manta ou roupas, servem para improvisar uma maca de transporte de feridos ou material;
Como defesa contra ataques de animais;
Com um canivete ou caneta podemos registar na vara acontecimentos e importantes...

Sinalização do Caminho

Sinalização dos caminhos
É muito difícil não encontrarmos o caminho, difícil mas não impossível. Faz parte do caminho encontros e desencontros; pausas para pensar; experiências com algo ou alguém. A sinalização característica dos caminhos de Santiago é:
Uma flecha amarela;
Uma faixa amarela;
Uma vieira (concha)
Um marco (com ou sem a vieira)
Faixas a Branco e Vermelho (GR-Percursos Grande Rota)
Faixas a Amarelo e Vermelho (PR-Percursos Pequena Rota)
Como regra geral o Caminho passa sempre em frente à Catedral ou a Igreja mais importante da cidade.
Setas amarelas pintadas nos muros, nos postes, no chão e nas árvores, blocos de granito com conchas e setas esculpidas, tudo isso ajuda o peregrino, mas sem os mapas é mais dificil calcular as distâncias, saber o nome das cidades, saber onde ficam as fontes de água e bares. Se hover o azar de nos perdermos, devemos manter a calma e tranquilidade porque ser peregrino não é apenas chegar a Santiago.
Ter especial atenção nas bifurcações verificar bem se existe algum sinal a indicar o caminho, mesmo que não seja um sinal convencional.
O nome peregrino vem do latim "Peregrinus", significa "aquele que cruza os campos". Os nossos pés irão guiar-nos para onde devemos ir. Os nossos olhos vão ver as paisagens que escolherem ver, mas o mais importante disto tudo é que a "a nossa mente deverá estar onde nós estivermos, pois, lá estará o nosso caminho" (ditado sobre o Caminho).












(azulejo de sinalizaçao na parede de uma casa)








terça-feira, 20 de março de 2012

Breve História dos Caminhos de Santiago

Um blog sobre uma peregrinação a Santiago de Compostela e não apresentar um pouco da história dos Caminhos de Santiago não me pareceu razoável, por isso, baseado no blog "Meia bota, bota e meia" apresento aqui um pouco da história dos caminhos.
"Existem vários Tiagos (ou Santiagos - São Tiago) no Novo Testamento – O Santo de que falamos é Tiago “Maior” filho de Zebedeu e Salomé, pescador, irmão de João, o evangelista, e um dos quatro primeiros discípulos de Jesus.
A palavra latina para Santiago é Iacobus de onde vem a palavra Jacobeu (Iacobeu em Latim e Xacobeu em Galego) que é utilizada para definir algo referente ou pertencente ao apóstolo ou ao seu culto.
Segundo a lenda católica, após a dispersão dos Apóstolos pelo mundo, Santiago foi pregar em regiões longínquas, passando algum tempo em Espanha, na Galiza. Quando voltou à Palestina, no ano 44, foi preso e decapitado, a mando de Herodes Agrippa I, filho de Aristobulus e neto de Herodes o Grande.
Dois de seus discípulos, Teodoro e Atanásio, roubaram o corpo do mestre e embarcaram-no (num barco com tripulação angélica) e em sete dias chegaram à Galiza e a Iria Flávia onde o sepultaram, secretamente, num bosque de nome Libredón.
Não há certezas quanto à data da descoberta do sepulcro apostólico, mas a maioria das fontes católicas apontam datas entre 813 e 820. A lenda conta que um ermita do bosque de Libredón, de nome Pelágio (ou Pelaio), observou durante algumas noites seguidas uma “chuva de estrelas” sobre um monte do bosque. Avisado das luzes, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou escavações e encontrou uma arca de mármore com os ossos do santo e dos seus discípulos.
Mas já muito antes da data apontada pela igreja para a descoberta da tumba do apóstolo, existia uma rota de peregrinação (romana e anteriormente celta), que ia do extremo Este ao Oeste de Espanha, até Finisterra.
Este velho caminho de peregrinação, simbolizava a viagem do sol de Oriente para Ocidente, “afogando-se” no oceano para voltar a surgir no dia seguinte. O renascer do Sol estaria intimamente ligado com o renascer da vida; fala-se também de uma rota para o templo de Ara Solis em Finisterra, erigido para honrar o Sol. Hoje em dia, são muitos os peregrinos que chegando a Santiago resolvem continuar o Caminho até Finisterra o que põe em causa a definição da rota apenas como uma peregrinação religiosa católica.
No "Campus Stellae" – de onde se crê provir a palavra Compostela – foi erigida uma capela para proteger a tumba do apóstolo que se tornou um símbolo da resistência cristã aos ataques dos mouros. A partir do ano 1000 as peregrinações a Santiago popularizam-se, tornando-se a cidade num dos principais centros de peregrinação cristã (a par de Roma e Jerusalém); é também nesta altura que surgem os primeiros relatos de peregrinos que viajaram a Compostela.
No século XII é publicado o primeiro guia do peregrino (do Caminho Francês) – o Códice Calixtino (ou Liber Sancti Jacobi) atribuído ao Papa Calixto II, que proclama ainda que quando o dia do Santo (25 de Julho) é num Domingo, esse é um Ano Santo Jacobeu (com especiais bênçãos e privilégios espirituais para os peregrinos).
Grupos de peregrinos começam a chegar de toda a Europa, desenvolvendo as cidades por onde passam, sendo o Caminho Francês o mais utilizado.
O Caminho de Santiago, tal como relatado no Códice Calixtino, é em terra o desenho da Via Láctea, porque esta rota situa-se directamente sob a Via Láctea que indica a direcção de Santiago, servindo assim, na Idade Média, de orientação durante a noite aos peregrinos. Esta associação deu ao Caminho o nome de Caminho das Estrelas e fez com que a chuva de estrelas seja um dos símbolos do culto Jacobeu, juntamente com a Vieira, a Cabaça e o Bordão.
A partir do século XIV, o Caminho entra em declive com a Peste Negra e é acentuado mais tarde pela Cisão da Cristandade (entre protestantes e católicos). Durante os séculos XVII e XVIII, as redes de comunicação são melhoradas e o Caminho recupera, mas volta a ter um declínio no século XIX com a Revolução Industrial e os descobrimentos científicos e intelectuais.
Hoje em dia, parece que a peregrinação volta ao seu esplendor inicial. A cidade de Santiago de Compostela foi declarada "Património da Humanidade" pela UNESCO em 1985, e o Caminho de Santiago foi declarado “Conjunto Histórico-Artístico” em 1962 e reconhecido pelo Conselho da Europa como "Primeiro Itinerário Cultural Europeu" em 1987 por estar repleto de marcos arquitectónicos (românico, gótico, barroco e neoclássico).
Nos dias que correm, os motivos que, segundo os peregrinos, os levaram a Santiago são vários: um espírito religioso (cristão ou não), misticismo, busca interior, turismo, desporto ou apenas uma grande aventura.
Embora não exista um ponto de partida “oficial”, muitos peregrinos resolvem seguir os seus antepassados à letra e sair da porta de casa, a maioria opta por começar o Caminho na fronteira Franco-Espanhola, saindo de Saint-Jean-Pied-de-Port, de Roncesvalles (Caminho Francês) ou de Somport (Caminho Aragonês).
O Caminho tornou-se muito popular nos últimos anos. As autoridades espanholas e as juntas locais, fazem os possíveis e impossíveis para atrair peregrinos, publicitando o Caminho e melhorando as infra-estruturas para os receber, já que são estes “viajantes” que mantém vivas muitas das aldeias ao longo da rota."

segunda-feira, 19 de março de 2012

Qual o teu caminho?

Na entrada do refúgio de peregrinos em Grañon, estava uma caixa escandalosamente aberta com várias moedas e uma nota de mil pesetas (actualmente acreditamos existir euros na mesma). Sobre a tampa em um pedaço de papel alguém escrevera em uma perfeita caligrafia: "Peregrino, deja lo que puedas; toma lo que necessites".

Através dessa frase simples e bastante sensível, o escritor anónimo acabava de descrever a profunda diferença que existe entre o Caminho de Santiago de Compostela, de qualquer outro existente no mundo. A hospitalidade e a tradição depositada por milhares de peregrinos através dos séculos, têm feito deste Caminho uma experiência única no mundo.

O Caminho está lá e pertence a quem caminha. Qualquer um pode afivelar a mochila e botar o pé na estrada. Se seu sentido de caminhar é espiritual, você poderá achar uma maneira que o coloque nos trilhos, que o ajuda a buscar. É preciso disciplina e dedicação e os benefícios só aparecem com a prática constante, como na ginástica.
O primeiro passo na busca é esvaziar-se. Caso você esteja buscando a comunhão com Deus é preciso deixar espaço para ele entrar. Para isso, nunca desvalorize a simplicidade. Talvez seja interessante criar um modelo. Jesus se ofereceu generosamente como modelo, mas se você tem tendências orientais, não hesite em escolher um modelo da sua doutrina. Use-o como inspiração e lembre-se de que é fundamental esvaziar-se, acreditar que existem coisas que estão acima de todas as explicações, acreditar que, na condição de buscador sincero e autêntico peregrino, você está se colocando à disposição de Deus, seja lá o que Deus for para você. A partir disso, crie os seus próprios métodos e os seus exercícios, sem jamais perder de vista a intenção de comungar com Deus.
Se acreditar que as práticas que está inventando vão lhe ajudar a se aproximar com Deus, estará exercitando a sua fé e o seu poder. Esse é o grande segredo. A vida é tudo que ela contém, por isso é o maior poder que existe. Use-o em favor da harmonia do universo ou estará nadando contra a corrente. Siga o fluxo, dance ao som da música, deixe-se levar. Irá surpreender-se de como as lições virão das coisas mais triviais. Jamais subestime a simplicidade. As mágicas do Caminho de Santiago estão nas pequenas coisas. Surgem como uma fonte de água no meio de Navarra, ensinam velhos segredos a quem observa o caminhar de uma formiga ou despertam um grande poder em quem contempla com respeito e paciência um galho de uma árvore de avelã.
O grande mistério é grande na sua simplicidade e é um mistério para que só os humildes o conheçam. Quanto mais complexo ficamos, mais oculto fica nosso caminho espiritual, por isso criou-se o termo ocultismo.
Antes de mais nada é preciso ambientar-se com a rota. Ler sobre a história do Caminho e das peregrinações é importante. Conhecer a experiência de outros peregrinos também pode ajudar bastante.
Mas lembre-se: o motivo que o leva a percorrer o Caminho de Santiago é pessoal. Não existe um motivo certo ou errado, adequado ou não, existe o seu motivo, aquele que é o verdadeiro para você. Existe os que fazem apenas pelo prazer de caminhar, outros por convicções religiosas e/ou por interesses artísticos e históricos existente ao longo do caminho e alguns para realizar uma promessa.
Quanto melhor o peregrino se preparar para a viagem, mais perto estará do próprio motivo que o leva a realizá-la. Bem informados, nos sentimos parte da grande cadeia de peregrinos que nos precederam e realizaram plenamente o sonho de percorrer o Caminho de Santiago de Compostela.
Algumas pessoas são de opinião que devemos efectuar o Caminho sem nenhum conhecimento sobre o mesmo, que o caminho irá ensinar como proceder perante as circunstâncias encontradas, no entanto, acredito que os que assim pensam, deixam passar despercebido muitas coisas belas que o caminho oferece e ao chegarem de volta aos seus lares, passam a sentir a necessidade de retornar, como o caminho é algo de muito pessoal, deixamos a escolha com o futuro peregrino.
Como aconselhava Madame Debrill, que era a responsável pela recepção dos peregrinos em Saint Jean Pied-de-Port há mais de trinta anos, "O peregrino caminha quanto pode e não quanto quer".
A peregrinação a pé está ao alcance de qualquer pessoa, mesmo que não seja um atleta, sempre que se saiba dosear o esforço em função da idade e das possibilidades físicas. E, se possível, com a mochila carregada daquilo que considera "imprescindível". Atenção que quando o "imprescindível" pesa demasiadamente, ele deixa de ser realmente imprescindível.
Valter Jorge
p.S: texto tirado de um blog que me serviu de guia para fazer esta peregrinação, que eu compartilho aqui porque acho interessante e importante: http://meiabotabotaemeia.blogspot.pt