segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ano Jacobeo ou Ano Santo Compostelano

Para se compreender a origem e a importância do Ano Santo, é preciso conhecer o contexto histórico e religioso dentro do qual ele nasceu. Foi no ambiente cultural e social da Idade Média Europeia, sob a omnipresente influência da Igreja, a consciência do pecado e a necessidade de libertar-se da sua culpa, eram sentimentos bem mais concretos e mais importantes na mente da população do que são hoje. E, possívelmente, também baseado no Ano Sabático do Judaismo em que o Ano Jubilar era o último Ano Sabático, de uma série de 7x7 Anos Sabáticos, e o seu objectivo era dar liberdade a todas as pessoas e coisas do país. O israelita escravo teria direito à libertação... Na época medieval a Igreja concedia indulgência, isto é, o perdão dos pecados, em algumas situações, tais como: • Os fiéis que participavam nas Cruzadas. • Os que ajudavam a construir um templo. • As pessoas que peregrinavam a um santuário (a pé ou a cavalo) para prestar culto às relíquias de um santo. • Havia algumas bulas papais que davam permissão a que pessoas de classes mais altas enviassem alguém para peregrinar em seu lugar. Obtinham assim o perdão "por procuração", sem precisar realizar pessoalmente a caminhada. O papa Calixto II elevou a cidade de Santiago de Compostela à dignidade metropolitana (sede de um arcebispado) e, em 1119, concedeu à Catedral de Santiago o privilégio do Jubileu Pleníssimo ou Ano Jubilar, mais conhecido como Ano Santo. Isto significa que o peregrino que caminhar a Santiago durante um ano decretado como Santo, terá todos os seus pecados perdoados. Calixto II tinha importantes vínculos com a Espanha: era cunhado de Dona Urraca, influente e poderosa rainha de León e Castela. Ela era filha do rei Alfonso VI, e mãe do rei Alfonso VII, dois monarcas espanhóis que muito apoio deram às peregrinações a Compostela. Além de conceder o Jubileu, o papa declarou a Peregrinação a Compostela como uma das chamadas peregrinações maiores, juntamente com as de Roma e Jerusalém (cujos peregrinos eram chamados respectivamente de romeiros e palmeiros). O primeiro Ano Santo, no qual foi dado o perdão aos peregrinos de Compostela, foi o ano 1126. O Papa Alexandre III em 1179, decretou perpétuo o Jubileu de Santiago de Compostela. Seu objectivo foi prestigiar o santuário e proporcionar aos fiéis peregrinos um meio de obter o perdão de seus pecados. Em 1332 o papa João XXII, em Avignon, editou uma bula concedendo indulgência também às pessoas que ajudassem os peregrinos compostelanos com hospedagens ou com esmolas. É considerado Ano Santo Compostelano todo aquele em que o dia 25 de Julho, dia do martírio de São Tiago, coincidir com o Domingo. Além destes, em ocasiões especiais, pode ser declarado um Ano Santo Compostelano extra, como já ocorreu, por exemplo, em 1885 e em 1938. O Ano Santo Compostelano, portanto, não só é frequente, como é mais antigo que o conhecido Ano Santo Romano, que foi decretado pela primeira vez no ano 1300. Tradicionalmente, durante o Ano Santo Romano estão suspensas todas as outras indulgências não ligadas directamente à cidade de Roma. Porém, pela sua importância, a única indulgência que jamais é suspensa é aquela relacionada à peregrinação a Santiago de Compostela. Próximos Anos Santos Compostelano: 2004, 2010, 2021, 2027, 2032, 2038, 2049, 2055, 2060, 2066, 2077, 2083, 2088, 2094…

 “...Encomendo os frutos deste ano Jacobeu a Nossa Senhora do Céu, que acompanhará aos peregrinos em seu itinerário penitencial e lhes acolherá sorridente a sua chegada ao Pórtico da Glória. Que com sua ajuda, e pela poderosa intercessão do Apóstolo Santiago, os queridos filhos da Galícia e da Espanha, assim como os vindos de outras terras, progressem material e espiritualmente, em um clima de solidariedade para com os mais necessitados e de paz com todos. Vaticano, 29 de Novembro de 1998, primeiro domingo do Advento. “JOANNES PAULUS II

Credencial e Compostelana


A Credencial


 A credencial tem origem nas "cartas de apresentação" e "salvo-condutos" que os peregrinos levavam, na época medieval e que lhes concediam certos privilégios. Mas quem não conseguisse obter uma credencial oficial, podia pedir ao pároco da paróquia uma carta que atestasse que ía peregrinar a Santiago dentro do “espírito cristão”, com o carimbo da certificação. Outra possibilidade era fazer um “Diário de Peregrinação” num caderno, com algumas folhas dedicadas aos carimbos para marcar a presença da nossa passagem. Coisas simples, práticas, originais e fáceis de utilizar, sem confusões, sem complicações e que cumpria o objectivo. O importante era ir ao caminho... Agora, no ano da graça de 2010, pelo que ouço, as coisas parecem que são um bocadinho diferentes... mas adiante... O importante é obtermos a credencial, não interessa onde, nem como... e partirmos para os caminhos. A credencial: - Identifica-te como peregrino / viajante. Indica o local onde iniciaste o caminho, a data de partida e a data de chegada a Santiago. - Deve ser carimbada diariamente nos lugares por onde passas (albergues, igrejas, associações, instituições, bares, tascas, cafés e por aí fora). - Podes obtê-la, ou solicitá-la nas Paróquias, Associações de Amigos do Caminho de Santiago, Albergues de Peregrinos (Espanha), ou outras entidades reconhecidas pela Oficina do Peregrino. Permite: - Acesso aos Albergues de Peregrinos, - Acesso à Rede Nacional da Pousadas da Juventude de Portugal (desconto 10% substituindo o Cartão de Alberguista), - Levantar a “Compostela” na oficina do peregrino em Santiago, Rua Vilar 1 (Junto à Catedral.) .

 A Compostela


A Compostela é um documento entregue pela “Oficina de Acogida de Peregrinos”, em Santiago de Compostela, a todos os peregrinos que a desejem e que provem, através da apresentação da redencial (devidamente carimbada pelos albergues onde passaram) que percorreram pelo menos 100km do Caminho de Santiago (a pé ou a cavalo) ou 200km de bicicleta. É uma espécie de diploma de participação que comprova que o peregrino chegou ao destino por "pietis causa".


Existe ainda a Finesterrana para os peregrinos que levam a peregrinação ate ao Cabo Finisterra, mas que eu não vou aqui especificar a sua origem, mas que se resume ao um documento muito parecido a Compostelana que é entregue aos peregrinos que façam a peregrinação ate ai. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Símbolos do Peregrino

Concha ou Vieira

Concha é o símbolo por excelência do peregrino. Serve qualquer uma e pode ser pendurada em qualquer lugar mas o mais comum é vê-las penduradas nas mochilas dos peregrinos que vão a pé ou nas bagagens dos peregrinos de bicicleta. Segundo as informações colhidas, a mesma significa protecção e busca de conhecimento e devemos devolve-la ao mar depois de termos feito o caminho, o que significa que o nosso caminho só estará completo quando chegarmos a Finisterra, segundo alguns!!!.... Assim agradecemos pela protecção e dizemos que o conhecimento adquirido não é nosso mas sim de todos, e que o disponibilizamos a todos. Não faltarão peregrinos que perguntarão porque as conchas (vieiras) têm tanto significado jacobeu. Muitas lendas, histórias e anedotas se contam.
Uma versão está ligada à chegada do corpo de Tiago trazido pelos seus discípulos Teodoro e Atanásio num barco sem leme nem vela, guiados por um anjo à Vila de Arosa na actual Galicia. No ano de 1532 apareceu a primeira narração sobre um suposto milagre que havia originado esse antiquíssimo costume. “Um príncipe vinha cavalgando e partindo de terras longínquas com o único objectivo de conhecer e orar frente a tumba do Apostolo Santiago quando sofreu um ataque de uma serpente. O seu cavalo começou a corcovar e pondo-se a galope correu com a sua montaria em direcção ao mar. O animal arrojou-se à água com o seu cavaleiro, o príncipe a ponto de afogar encomendou sua alma a Santiago. Minutos depois, seu corpo emergiu das águas totalmente coberto de conchas de vieira. A partir desse momento os peregrinos a Santiago se identificaram com as conchas marinhas.

A origem verdadeira, e mais lógica, parece derivar-se do facto que os peregrinos que regressavam de Finisterra – fim do mundo conhecido naquela época – deviam mostrar aos seus familiares e amigos, alguma prova ou símbolo que testemunhasse terem cumprido com êxito a sua peregrinação até Compostela.
O mar era um grande desconhecido dos europeus, habitantes da parte central, como eles sabiam que o Santo Sepulcro de Santiago estava perto da costa, nada mais justo que os peregrinos, ao regressarem a casa, levassem uma concha como recordação e testemunho da sua peregrinação. Daí o costume de colherem uma concha junto ao mar, onde iam depois de terem orado junto a tumba do Apostolo.
Dessa aventura marítima, nasce o mito que fez das conchas de vieira um dos símbolos dos peregrinos a Santiago de Compostela. É assim que desde a Idade Média, a concha de vieira, posta no peito, se tornou a marca inequívoca que permitia o acesso às hospedarias.
Cruz de Tau
O Tau é uma cruz com a forma da letra grega TAU (T). Além de ser um símbolo protector e Bíblico é a última letra do alfabeto hebraico e a 19ª do grego, derivado dos Fenícios e correspondente ao "T" em Português. O Tau é a mais antiga grafia em forma de cruz e significa: Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da mente direccionada para um grande bem.
O Tau, é a convergência das duas linhas: verticalidade e horizontalidade, significam o encontro entre o Céu e a Terra. O Divino e Humano. Em 1215 o Papa Inocêncio III prega um novo símbolo cristão e São Francisco, estando presente nessa reunião, assume o Tau como símbolo de sua Ordem Religiosa, a Ordem dos Frades Menores. Santa Clara, quando tratava dos doentes e enfermos com a imposição do TAU, invocava a Deus que curasse aqueles que padeciam e sofriam.

Cruz de Santiago
A Cruz de Santiago’ é o simbolo da Ordem Militar e Religiosa de Santiago, fundada no ano de 1160, no reino de leão, por 12 Cavaleiros no reinado de D. Fernando II, para defender os peregrinos que iam ao sepulcro do Apostolo Santiago em Compostela, fazendo o Caminho de Santiago a fim de receber o jubileu atravesando a Porta Santa da Catedral de Santiago como está descrito noCódice Calixtino.




Cajado com
Vieira e  Cabaça
A cabaça era (e pode ser) usada para transporte de água ou vinho, hoje utilizamos o cantil ou as garrafas plásticas, por serem mais práticas e leves, assim a cabaça passou a ser mais um simbolo.
Embora hajam muitos peregrinos que não utilizam este instrumento do caminho, o Cajado além de ser um simbolo, pode ser de grande utilidade, embora hoje se utilizem umas modernices, levezinhas, mas sem a maoir parte das utilidade e funções que descrevemos, vejamos então:´
Usada como vara de saltos serve para atravessar cursos de água
Pode servir para puxar alguém que caiu a um rio ou poço;
Colocada aos ombros de dois peregrinos serve para transportar qualquer coisa, dividindo o peso pelos dois;
Com uma peça de roupa atada e agitando-se no ar serve para chamar a atenção ao longe;
Quando alguém se magoa num tornozelo, serve como muleta;
Serve para medir a profundidade de ribeiros, lagos ou tanques;
Segura com as duas mãos em cima das nádegas e por baixo da mochila, ajuda a aliviar o peso desta nas costas;S
erve de apoio, equlibrio e marcação de ritmo ao peregrino;
Com uma manta ou roupas, servem para improvisar uma maca de transporte de feridos ou material;
Como defesa contra ataques de animais;
Com um canivete ou caneta podemos registar na vara acontecimentos e importantes...

Sinalização do Caminho

Sinalização dos caminhos
É muito difícil não encontrarmos o caminho, difícil mas não impossível. Faz parte do caminho encontros e desencontros; pausas para pensar; experiências com algo ou alguém. A sinalização característica dos caminhos de Santiago é:
Uma flecha amarela;
Uma faixa amarela;
Uma vieira (concha)
Um marco (com ou sem a vieira)
Faixas a Branco e Vermelho (GR-Percursos Grande Rota)
Faixas a Amarelo e Vermelho (PR-Percursos Pequena Rota)
Como regra geral o Caminho passa sempre em frente à Catedral ou a Igreja mais importante da cidade.
Setas amarelas pintadas nos muros, nos postes, no chão e nas árvores, blocos de granito com conchas e setas esculpidas, tudo isso ajuda o peregrino, mas sem os mapas é mais dificil calcular as distâncias, saber o nome das cidades, saber onde ficam as fontes de água e bares. Se hover o azar de nos perdermos, devemos manter a calma e tranquilidade porque ser peregrino não é apenas chegar a Santiago.
Ter especial atenção nas bifurcações verificar bem se existe algum sinal a indicar o caminho, mesmo que não seja um sinal convencional.
O nome peregrino vem do latim "Peregrinus", significa "aquele que cruza os campos". Os nossos pés irão guiar-nos para onde devemos ir. Os nossos olhos vão ver as paisagens que escolherem ver, mas o mais importante disto tudo é que a "a nossa mente deverá estar onde nós estivermos, pois, lá estará o nosso caminho" (ditado sobre o Caminho).












(azulejo de sinalizaçao na parede de uma casa)