sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dia 6- Outeiro- Santiago de Compostela (18km)

Ora eis que chegou o tão ansiado dia. Levanto-me bem cedo como tem sido hábito nesta jornada, cerca das 5.30h da manhã, ponho a mochila pronta e preparo-me para iniciar a jornada. Sou o primeiro do albergue a sair, saio de fininho sem fazer barulho para não acordar ninguém. Ainda é noite e os primeiros 2km são feitos ainda sobre a luz da luz. Estava uma manha óptima para caminhar, fresca sem estar fria, sendo que o caminho, nesta fase inicial, era essencialmente por caminhos de terra batida o que para o meu pé eram excelentes noticias. Começa a clarear o dia, é maravilhoso ouvir o cantar dos pássaros pela manha, já numa azafama louca a procurarem comida e nos seus jogos matrimoniais, visto que estavam em plena época de acasalamento. O odor da terra exalava agora devido a chuva caída no dia anterior, o cheiro das flores e o verde que aparecia agora pela manhã dava ainda mais força para a caminhada. Depois de uma primeira fase feita a bom ritmo, entrava agora numa fase mais dura, não que fosse fácil o caminho, mas como era grande parte por asfalto nesta fase o meu pé já estava a sentir dificuldades. Nas primeiras horas caminhei sozinho sem avistar qualquer peregrino, mas isso mudou quando faltavam uns 10km para Santiago de Compostela, ai começo a ver peregrinos, alguns parados numa pequena aldeia praticamente as portas de Santiago, a comer uma belas tapas e a beber canãs de cerveja. Juro que a minha vontade numa primeira fase era essa mas depois mentalizei-me que mais uns km e estava a peregrinação acabada e ai teria tempo para comer tapas e beber cañas de cerveja. A aproximação a Santiago por este Caminho Sanabres é caracterizada sobretudo por subidas muito íngremes e longas descidas, o que para os nossos joelhos é terrível. Eram cerca das 9:30h da manhã avisto a placa a dizer "Santiago de Compostela", ai meus amigos a moral disparou, mesmo sabendo que a Catedral ainda estava a uns 5km mas isso já não importava, ai foi cerrar os dentes e mesmo já em algumas dificuldades por causa do pé segui as setas indicativas do caminho, o que aqui nesta entrada da cidade não é das coisas mais fáceis porque andavam obras em curso.
Primeiro momento alto acontece, chego a um ponto onde avisto as torres da Catedral e ai as lágrimas começaram a correr sem parar e o coração a apertar num misto de emoção e felicidade, paro por uns momentos para tirar umas fotos e é quando chega junto a mim o peregrino que estava a fazer o caminho de bicicleta que eu tinha encontrado em Laxe e que trazia uns 10km em cada lado da bicicleta, também ele era agora lágrimas pelo dever cumprido. A partir daqui foi caminhar sempre com as torres da Catedral em fundo, depois a meio da ultima descida antes de entrar mesmo na cidade, paro numa tasca estudantil para tomar qualquer coisa, e para saborear o momento, quando entrei fui cumprimentado por toda a gente lá dentro o que fez com que a ideia que eu tinha dos espanhóis em relação aos peregrinos se confirma-se. Resta-me o ultimo km já bem dentro da parte antiga da cidade de Santiago de Compostela, passando por edifícios lindos como uma das universidades, um convento, etc. Depois de subir, subir por entre estes edifícios, eis que chego a Porta do Peregrino, que nos da caminho para a praça do Obradoido onde se encontra a Catedral de Santiago, e aqui eram centenas de peregrinos a fluir de todo o lado, de toda a Europa, de todas as idades. Sigo para a praça do Obradoiro e ai a primeira coisa que eu fiz foi me ajoelhar para agradecer e celebrar mais esta jornada, seguido de um grito triunfal porque a emoção é mais que muita neste momento, onde a voz de embarga e fica tremula perante a alegria que toma conta de nós depois de uma jornada destas concluída e perante a nossa pequenez junto a imponência da Catedral do Santo Apóstolo.
Recomposto e depois de 10m de euforia, sigo para a oficina do peregrino para colocar o carimbo final na minha credencial/passaporte de peregrino e para ai me darem a Compostela. A Compostela é um certificado todo escrito em latim onde esta firmado que és um peregrino de Santiago, de salientar que estas compostelanas apenas são passadas a quem percorreu 100km ou mais a pé, de bicicleta ou a cavalo. Chegado a oficina a fila era gigantesca, mas não me restava alternativa, mas acaba por passar depressa esta espera porque sempre vamos travando conhecimento com alguns peregrinos e meia hora depois ali estava eu prestes a adquirir a minha segunda Compostelana. Depois de cumprido este ritual, foi deixar a minha mochila aqui na oficina guardada e dirigir-me para a Catedral porque ia haver uma Missa do Peregrino, normalmente é só aos domingos, mas visto que estamos num Ano Santo Compostelano(Ano Santo Compostelano é sempre que o dia de Santiago calha num domingo). Deparo-me novamente com uma longa fila para entrar na Catedral visto que agora todos os peregrinos são revistados a entrada por causa do terrorismo. Chego mesmo no inicio da missa, com o privilégio de esta ser presidida pelo bispo de Santiago, a Catedral estava lotada (como sempre), na sua esmagadora maioria peregrinos, onde a emoção toma conta de nós pois aqui agora em recolhimento, em oração, agradecemos ao Santo Apóstolo e a Deus porque apesar dos sacrifícios, das dores, dos momentos de solidão, tudo ter corrido bem, e onde fazemos as nossas orações pelos motivos que nos levaram a fazer esta peregrinação/jornada. O momento alto das Missas do Peregrino é quando o botafumeiro, que é de um tamanho gigante, esta preso a uma corda e é puxado por um grupo de acólitos/monges (não tenho a certeza) que o começam a balançar de um lado para o outro até esta praticamente bater em cada uma das extremidades do tecto da Catedral, acompanhados por musica do orgão, é um momento apoteótico, onde os flaxes das cameras não param de disparar, que termina com uma grande salva de palmas.
Finda a missa resta-me cumprir o meu último ritual que "todos" os peregrinos devem cumprir, que é a visita ao túmulo do Santo Apóstolo, novamente uma fila enorme, mas que espero com tranquilidade e prazer. O túmulo do Santo Apóstolo encontra-se debaixo do altar mor da Catedral, para isso temos que passar por trás do altar e depois descer para junto do túmulo, ai temos apenas uns minutos para oração e depois temos que sair porque estão sempre pessoas à espera para fazerem a visita.



Mais uma peregrinação concluída! Sozinho, cheio de dores, com um pé num estado lastimoso, mas principalmente motivado por ter superado mais uma missão de aventura e de ver alguns dos meus limites superados!Com o sentimento de dever cumprido, com a minha espiritualidade renovada e com o significado de sacrifício, companheirismo, amizade muito mais fortalecidos!!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dia 5- Laxe- Outeiro (39km)

Cá estou eu mais uma vez para descrever mais uma etapa desta minha jornada. Esta foi a etapa mais dura e mais penosa a vários aspectos que mais a frente vão verificar, não tanto a nível físico mas a nível mental exigiu muito de mim.
Mais uma vez a saída foi bastante cedo. São 5:30h da manhã, levanto-me tentando não fazer barulho para não acordar nenhum dos peregrinos que estavam no dormitório e saio de fininho, para trás ficam os dois amigos ciclistas e outro que tinha chegado ao albergue ao final da tarde do dia anterior, que tinha 10kg em cada lado da bicicleta. Começo a caminhar ainda de noite e cedo de apercebo que ia ser uma jornada complicada. Primeiro porque é a primeira etapa em que saio sozinho, de noite, sem lanterna... já estão a ver o filme. Em segundo lugar pelo tempo, estava uma noite/madrugada extremamente abafada o que significava duas coisas, ou estava-se a formar alguma trovoada ou ia ser mais um dia extremamente quente o que para caminhar era terrível, mas cá estava eu para o que desse e viesse, não havia volta a dar. Para começo perfeito de jornada ao fim de uns dois quilómetros perdi-me, andei uns 300m enganada no meio de um campo e depois uns 5minutos a procura da seta ou marco que indicassem o caminho. Arrepiado caminho, lá continuo com o dia a começar a clarear no horizonte e péssima noticia...céu extremamente carregado já com barulho de trovoes, acelerei o passo, visto estar a entrada de uma floresta(linda, cheia de carvalhos, choupos, e outras árvores) óptima para tirar fotografias mas que ficou adiada para uma próxima peregrinação, visto que o que eu queria era encontrar um abrigo, porque a chuva estava a começar a cair e pior que isso(se isso já não fosse suficientemente mau....) os raios que eram cada vez mais fortes e intensos. Passei por uma ponte romana lindíssima, nem parei, passo de corrida já porque estava a uns 200/300m de uma aldeia. Chego finalmente a aldeia que era trespassada por uma estrada, não se via vivalma, olhei em redor e vi a igreja, a minha primeira reacção foi seguir para lá, chovia torrencialmente nesta altura, raios a cair e para a minha sorte a igreja estava... fechada, melhor que isso é o facto de o cemitério se encontrar numa dos lados desta, o que com uma trovoada, escuro porque o céu ficou tão carregado que parecia noite outra vez, este não era o cenário mais convidativo. Saio dali e ainda pensei seguir caminho, mas como era continuar pelo meio da floresta decidi procurar um abrigo. Encontro uma garagem entro ali, tiro o saco cama e coloco-o a minha volta para não arrefecer e rezar e esperar para que a trovoada passe depressa. Olho para o telemóvel e reparo que são...7:30h da manhã, nunca na minha vida tinha estado sob de uma trovoada a esta hora, uma coisa surreal. Cerca de meia hora mais tarde já com a chuva praticamente fora do meu caminho, começo a caminhar outra vez. O cheiro a terra húmida e abafada típica de quando ocorrem as trovoadas no verão eram agora bem notórias. Visto o que me aconteceu, vejo-me decidido a ir até Bandeira onde existe um albergue. O que restava do caminho até Bandeira confesso que não me custou nada a fazer, sempre por trilhos, arvoredo e pequenos povoados. Chegado a Bandeira, vejo o meu segundo contratempo, o albergue é no parque de campismo da vila e situa-se a dois km dali, a moral foi um pouco abaixo porque percorri os dois km´s e chegado lá o albergue encontrava-se fechado, o recepcionista tinha ido almoçar. Ali estava eu no a entrada do albergue sobre um calor parvo, com a vila la no cimo, fiquei ali sentado a pensar no que ia fazer, era muito cedo ainda( cerca das 13h), decido ir ate Outeiro o próximo albergue visto que o dia ainda era muito grande, começo o caminho de retorno em direcção a Outeiro, chegado ai procuro um um café para e tomo um aquarios para refrescar e restabelecer os níveis de sais minerais. A saída de Bandeira cruzo-me com um grupo de peregrinos que iam para Outeiro também, um grande composto maioritariamente por mulheres, travei uma pequena conversa e segui o meu ritmo porque ainda me restava uma longa jornada. Quero salientar que parte do caminho entre Bandeira e Ponte Ulla custo bastante porque é feito grande parte por asfalto, o que deixa os nossos pés numa lastima e como eu já estava meio coxo de um deles...Ao chegar a P.Ulla deparo-me com uma paisagem bastante bonita com uma ponte ferroviária muito antiga no horizonte, ai faço uma pequena pausa para abastecer de agua numa belíssima fonte onde estavam parados dois peregrinos, um alemão e outro italiano, seguimos juntos uns 300m mas eu sigo porque eles iam se ficar por Ponte Ulla e eu ainda tinha que ir até Outeiro. Ao chegar a P.Ulla procurei um restaurante barato para comer qualquer coisa porque eram 4h da tarde e acho que estava mais que na hora de fazer uma refeição decente. Encontrei um restaurante mesmo a saída da ponte, um lugar muito acolhedor e onde comi e bebi maravilhosamente. Depois do repasto, procurar um supermercado para comprar fruta, leite, pão e uns iogurtes porque em Outeiro onde estava o albergue não havia nada. A saída de P.Ulla encontro três peregrinos que também estavam em Laxe, eram duas raparigas jovens e um senhor de meia idade, uma delas com os pés numa lastima, cheios de bolhas por não ter um calçado apropriado, até metia dó só de olhar, ela mal conseguia andar, com a parte de cima das sapatilhas cortadas e cheias de algodão. A nós restou dar-lhe animo para que ela aguaenta-sse porque o albergue estava a menos de 10km, o senhor esse era um peregrino experiente já, porque já tinha feito vários Caminhos. Seguimos jornada juntos mas aqui o caminho tinha uma subida terrível, são 3, 4km sempre a subir, primeiro por uma calçada, depois por estrada e em seguida por terra batida antes de chegar a Outeiro. Mas se uma trovoada já tinha sido mau, imaginem duas no mesmo dia! É verdade, a meio da subida para Outeiro, começam os trovões outra vez e a cair umas pingas. Virei-me para os três peregrinos e disse-lhe que ia acelerar o passo porque já tinha apanhado uma trovoada e não queria apanhar uma segunda, eles disseram para eu seguir o meu ritmo que nos encontraria-mos no albergue. Alargo a passada, já no meio de um eucaliptal, a cerca de 1500/700m do albergue quando S.Pedro decidiu que eu tinha mesmo que apanhar um valente banho e medo por causa dos raios do trovão, porque eles caiam ali no eucaliptal que não era brinquedo. A mim não me restou alternativa que pegar no saco que tinha com as compras e fazer dele uma capa para a minha mochila para que esta se molha-se o menos possível, e rezar para que nenhum raio cai-sse perto de mim porque andar a caminhar no meio de uma floresta aquando de uma trovoada não é o melhor que possamos fazer, mas não tinha opção. A chegada ao albergue é sob uma chuva torrencial mas feliz por finalmente poder ir descansar.
Chegando aqui, tratei de me instalar, comer qualquer coisa, por a roupa a secar e tirar fotografias na entrada do albergue pois a chuva estava agora a parar. O Albergue é um edifício muito bonito e funcional, com um jardim lindíssimo. Espero que os meus três amigos peregrinos de acomodem e depois fomos juntos visitar a capela de S.Tiaguinho e beber na sua fonte. A capela de S.Tiaguinho é uma pequena capela do estilo românico, erguida em nome de Santiago, e cuja a particularidade ser que ao lado tem uma fonte que diz ser obrigatório todos os peregrinos que passem por aqui beber ali. Depois de fotos tiradas e de uns dedos de conversa é chegada a altura de preparar tudo para a jornada do dia seguinte que era o grande dia. Resta-nos comer qualquer coisa e deitarmo-nos na cama para um descanso mais que merecido.

P.S: esta jornada para mim teve a máxima de que "o que não nos deita abaixo torna-mos mais fortes", pois foram vários os momentos de adversidade que tive nesta jornada, mas que com muito esforço, força e fé que fizeram com que no final do dia tudo parece-sse fácil e que Santiago estava já ali a 18km de distancia!!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Dia 4- S. Cristóvão de Cea - Laxe (37km)

Mais um dia de peregrinação intenso, onde a dor, o sacrifício, a emoção e o sentido de peregrino fizeram mais sentido.
São 5.30H da manhã hora espanhola, menos uma em Portugal e o despertador toca e começa a azafama para mais um dia de jornada. Depois de pequeno almoço tomado e mochila previamente aprovisionada, falo com o casal e os filhos e saímos bem cedo onde bem cedo ficou evidente que ia ser um dia quente e de uma jornada difícil. O plano inicial era ficar no albergue de Dozón que ficava a 14km de Cea. Mas desde bem cedo que me apercebi que ia ser uma jornada onde iria andar praticamente sozinho, porque os filhos do casal não estavam preparados para fazer o caminho e isso notava-se perfeitamente no seu ritmo. Os primeiros km foram muito fáceis de fazer, pois foi quase sempre pelo meio de pastagens e pequenos bosques, o que pela manhã é óptimo, pois só ouvia-mos o cantar dos pássaros e dos cursos de água, e onde a azafama da populações das aldeias já era bem evidente. Sentia-se o cheiro a feno, a flores campestres, nos caminhos adjacentes aos campos de feno que estava agora a ser recolhido. Aqui fizemos uma pequena pausa de cerca de 5m, para comer uma peça de fruta e relaxar um pouco a sombra porque em seguida vinha ai uma parte já mais complicada com uma subida não muito íngreme mas longa e caminhar por entre montanhas antes de chegar a próxima povoação.
Uma ressalva e a minha vénia para a simpatia dos habitantes das pequenas aldeias por onde passamos é contagiante e reconfortante, estando sempre disponíveis para nos fornecer água e fruta, o que nos dá um animo extra para estas jornadas longas e extenuantes devido ao calor violento que se faz sentir.
Quando a subida referida anteriormente nem a a meio já eu levava uns 300m de distancia do casal e dos filhos. Depois da subida, era um espectáculo a vista que se tinha do cimo destas montanhas para o que nos rodeava, sendo que agora era caminhar a uma altitude onde o calor ainda não se fazia sentir, aqui em cima dava perfeitamente para ver a distancia que já levava para o casal. Segue-se uma descida acentuada em direcção a Dozon. Chegado aqui, dirigi-me a um café e esperei ai pelo grupo. Tirei a mochila, e sentei-me no chão para esticar as pernas enquanto degustava um café que sendo muito mau, nesta altura parecia óptimo...Começam a chegar também um grupo de peregrinos maioritariamente jovens que iam para Laxe mas com a diferença de terem carro de apoio a acompanha-los. Ainda era muito cedo e depois de falarmos uns minutos, decidimos ir até Laxe, visto que ainda era muito cedo, sendo que ainda era uns 23/24km até la, o casal toma uma decisão importante, decide que os filhos apanhem aqui um autocarro até Cea, tinham lá o carro e que viessem ter com eles a Laxe, porque não estavam em condições para seguir caminho. Nós depois de retemperadas as forças voltamos a por os pés ao caminho em direcção a Laxe, a caminhada ai a um ritmo lento porque o homem não se estava a sentir já nas melhores condições, sendo que não foi pior porque parte do caminho é por grande bosques e onde o calor ainda não era muito intenso, mesmo assim á chegada a uma aldeia paramos num café, e ai o casal disse-me para eu seguir o meu caminho porque o homem não estava a aguentar o ritmo e não me queriam prejudicar. Vi-me sozinho com o calor a começar a apertar, com as dores no pé a começarem a aumentar e a tentar me mentalizar que a partir daqui era uma jornada solitária. Depois de uns kms por asfalto, que me deixou ainda mais cansado, vejo-me a atravessar um viaduto de uma auto estrada e a partir daqui perco o rasto a sinalização do caminho e ando perdido uns 500m perdido, volto para trás, e sigo por outro caminho que vai dar a uma aldeia e ai pergunto a direcção para Laxe e uns metros mais adiante recupero a sinalização dos caminhos e sigo. Depois de uma descida extenuante e sem agua..a minha moral esta de rastos. Chego a uma localidade e ai encontro uma fonte com agua fresquinha, onde me recomponho e vejo que a faltam "apenas" uns 8/10km para Laxe. A moral sobe, mas passado os dois primeiros kms depressa diminui porque o caminho nesta fase era péssimo, só asfalto e subidas íngremes sobre um sol abrasador, porque era umas 14h da tarde, deviam estar uns 30g! Esta subida, associada ao calor a as condições em que se encontrava o meu pé acabaram por se tornar difíceis mas sem sacrifico os caminhos não tinham o significado que têm. No cimo da subida encontro um café, local de paragem de praticantes do desporto equestre, tomo um aquários para recuperar forças para um esforço final em direcção ao albergue.
A chegada a Laxe foi feita sobre um calor parvo, com o caminho sempre paralelo a uma autoestrada o que tornava o calor ainda mais sufocante. Laxe é uma vila industrial que praticamente não tem nada junto ao albergue, cafés,restaurantes ficavam a 2km na zona industrial. Chegado ao albergue, um albergue novo todo em madeira, com óptimas condições, tomo um banho para relaxar e ai conheço dois peregrinos que estavam a fazer o caminho de bicicleta.Vamos todos almoçar/jantar e ver a o jogo da Espanha para depois vir para o albergue descansar que no dia seguinte vinha ai mais um dia de caminhada longo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dia 3- Ourense- S. Cristóvão de Cea (22km)

Este terceiro dia para mim foi o mais difícil a todos os níveis, mas principalmente a nível mental e físico pelos motivos que a seguir vou explicar. Como sempre a partida de Ourense foi bem cedo, ainda de noite, para fugir o máximo ao calor insuportável que se fazia sentir esta semana. Depois de tomado o pequeno almoço, um episódio surreal, um dos amigos do Canário saca de um charro enorme, começa a fuma-lo e depois vira-se para nós e diz: "conho quiere caminar? a continuación, vamos, veo que tiene las piernas para ir conmigoo!!" Se no almoço no dia anterior já tinha me divertido a grande, a manhã começou da melhor maneira!!Saímos um grupo grande, eu, o Canário o grupo que já vinha com ele antes de ele se perder e ter desviado para Verin, um casal e os seus dois filhos. Ao todo éramos uns 10/11 peregrinos, que saímos do albergue mas que rapidamente nos separamos. A saída de Ourense é feita pela ponte antiga que liga a as duas margens do rio(não vou dizer se é do estilo romano ou românico para não errar, visto que a atravessei de noite....) e logo em seguida por uma subida extremamente íngreme e violenta com uma extensão praticamente de 1km!! Logo aqui na subida o grupo fragmentou-se ficando para trás eu e o casal com os filhos. Disse ao Canário para ele seguir o ritmo dele porque eu tinha tempo para chegar a Santiago e ele tinha voo marcado para 5 feira dessa semana...foi ai que me despedi da pessoa que mais me marcou nesta peregrinação. A partir daqui começa uma segunda etapa da minha peregrinação, onde a superação, a coragem, o desanimo, o choro, a oração fizeram parte da rotina diária. Durante cerca de 10km caminhei ao juntamente com o casal e os filhos, eram do sul de Espanha, o casal caminhava bem mas os filhos...Mas quando faltavam uns 8/10km o casal e os filhos disseram-me que não aguentavam aquele ritmo para eu continuar que eles iam seguir o ritmo deles. Para mim foi mais um golpe duro porque queria chegar a Cea, o meu pé doía-me cada vez mais e agora encontrava-me a caminhar sozinho. Confesso que estes últimos km foram um suplicio porque já mal conseguia colocar o pé no chão, tal eram as dores, mas cerrei os dentes e ai fui eu em direcção a Cea, sendo que o que me valeu foi a ausência de asfalto, os caminhos mesmo ate Cea são por entre florestas de e campos de cultivo, o que mesmo numa hora de calor terrível sempre tinha umas sombras para aliviar. Confesso que quando vi a placa a indicar o albergue as lágrimas brotaram da minha cara instantaneamente porque estava a ser muito doloroso continuar a caminhar. Cea é uma pequena vila com uma parte muito rústica,com uma praça central lindíssima, na qual tem uma torre com uma fonte de agua maravilhosa e extremamente fresca. O albergue é uma antiga casa recuperada com um grande terraço e todo de pedra. Chegado ao albergue e foi tomar um merecido banho e ir a procura de um restaurante para comer, subi em direcção ao centro quando não foi o meu espanto ao encontrar barraquinhas a vender polvos grelhados oriundos das Rias Baixas, perguntei o porque e responderam que era típico nos dias de feira. Depois de um bom repasto composto por polvo grelhado com uma boa salada e uma bela garrafa de vinho dirigi-me a uma farmácia para comprar qualquer coisa para colocar no pé, porque em Ourense não me souberam dizer o que tinha, aqui a médica da farmácia disse que aquilo era um derrame interno, deu-me uma pomada e disse que o melhor era colocar o pé em água fria o máximo de tempo que possível. Dirigi-me em seguida para a praça central e foi ai tive umas duas horas com o meu pé na fonte e as dores para aquele dia passaram. Aproveitei o resto da tarde para tirar umas fotografias e em seguida para descansar. Veio a noite para um belo descanso que amanha é mais um dia de jornada!!

P.s: o casal e os filhos chegaram cerca de 1,30h depois de mim, sendo que os filhos vinham num estado lastimoso. ´
P.s 2: aqui em Cea encontrei um dos peregrinos que tinha seguido no grupo do Canário desde Ourense mas que decidiu ficar aqui no albergue esta noite o que se tornou mais agradável porque éramos um grupo novamente.


" A Vontade de nos superarmos diariamente aumenta quando somos capazes de passar a barreira psicológica da dor física!!!"

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dia 2- Vilar de Barrio - Ourense (32/3km +-)

Este segundo dia de peregrinação fica marcado por ser o mais longo de todo a peregrinação, onde caminhamos cerca de 40km. A partida de Vilar de Barrio foi a bem cedinho por volta das 6 da manha hora de Espanha, onde praticamente ainda não se via nada. Manha fresquinha, com muito orvalho e algum nevoeiro, boa para caminhar, mas também requeria mais atenção por causa da sinalização, por isso aproveitar ao máximo antes que o sol aparecesse. Esta etapa em termos de dificuldade não apresenta um grau muito elevado, apenas o elevado número de km´s. Os primeiros 14km de Villar de Barrio até Xunqueira de Ambia foram feitos a um bom ritmo por caminhos essencialmente planos pelo meio de grandes terrenos de cultivo e depois por terrenos onde abundavam as árvores. Perto de Xunqueira de Ambia alcançamos uns peregrinos de Vilar de Barrio com quem tínhamos falado na véspera e que também iam fazer a peregrinação. Fomos juntos mais ou menos 2km e depois eles seguiram porque nos tínhamos mais peso nas costas e não podíamos seguir o ritmo deles sob pena de "arrebentarmos" a meio do caminho. Xumqueira de Ambia, uma vila muito interessante com uma igreja de estilo românico muito bonita. Paramos num café por 5m para bebermos algo quente, tirar umas fotos e repormos as forças e continua a marcha.
A partir daqui a dificuldade começa a aumentar substancialmente, muito caminho por asfalto e com isso os pés a pagar a factura. É nesta altura que me deparo com uma dor fortíssima no pé direito que me vai atormentar até ao fim da peregrinação. Grandes descidas em direcção a zona industrial de Ourense, o calor a começar a apertar apesar de ainda estarmos apenas no final da manhã. Passar a zona industrial de Ourense torna-se um martírio porque aliado o calor com o asfalto os começamos a ficar muito mais desgastados e a pedir que Ourense chegue rapidamente. Para a jornada ser perfeita a saída desta zona industrial uma subida bastante íngreme em direcção a ultima aldeia antes de entramos em Ourense. Na zona industrial eu e o Canário separamo-nos porque eu tive que parar por causa do meu pé e ele seguiu, sendo que nos encontramos a entrada da cidade outra vez. Nesta ultima aldeia parei mais uma vez por um minuto para tirar umas fotos e descansar o meu pé porque as dores eram insuportáveis, foi quando umas senhoras muito amáveis me perguntaram se eu necessitava de alguma coisa e a desejar-me bom caminho. A entrada da cidade la nos juntamos outra vez e seguimos em direcção ao albergue, que fica situado no cimo da cidade num antigo mosteiro franciscano se não estou a errar. Foi o albergue mais bonito que encontrei em todo o caminho, de dimensões incríveis, onde as condições são excelentes e onde encontramos o albergueiro mais simpático, sempre disponível para nos ajudar em qualquer coisa. Cheguei ai em grandes dificuldades por causa do meu pé, mas depois de um bom banho ja estava muito mais animado. Mais animado fiquei porque o grupo com quem o Canário vinha antes de se ter enganado estava ali também e depois de os conhecer fomos todos almoçar e conhecer a cidade, cujo o centro histórico é lindíssimo, onde se destaca a Sé de Ourense e as termas romanas. Depois foi recolher ao albergue e tentar descansar ao máximo porque o meu pé não me estava a dar tréguas.

domingo, 11 de julho de 2010

Dia 1- Verin - Vilar de Barrio (34km+-)

Ai está o primeiro dia de peregrinação propriamente dita. São 5:30h da manhã hora de Espanha e toca a levantar. Preparar o pequeno almoço, meio litro de leite, bolachas e uma peça de fruta, muitos se devem perguntar o porque de tanto leite? Porque é uma excelente fonte de cálcio e porque nos espera uma longa caminhada sem tempo para comer. Depois do pequeno almoço tomado, hora de arrumar a mochila e preparar para a partida. São 6H em ponto e já o Canário (nome pelo qual eu carinhosamente tratava o peregrino da ilha Canária) estava a dizer que era hora de começar a "marchar", mochila as costas, bastão na mão e começa a aventura. Cá fora mal se vê ainda, vamos caminhando pelas margens do rio Tâmega. Só ao fim dos primeiros 5km +- é que o dia começou a clarear. Depois de vários km´s a caminhar apenas por asfalto, decidimos não seguir o caminho sinalizado e seguir pela estrada porque era mais a direito. Por volta das 9 da manhã chegamos a primeira vila e onde á partida eu tinha planeado acabar a minha primeira etapa, mas para o Canário isso era muito pouco, e realmente ainda era muito cedo e podíamos perfeitamente andar ate ao próximo albergue, descansamos uns 5/10minutos, mudei o meu calçado, tirei as botas e calcei as sapatilhas e mais uma peça de fruta e ai vamos nós. Mal imaginava eu o que vinha ai....A partir daqui começamos a seguir o "Caminho", depois de alguns km chegamos a uma aldeia onde aproveitamos para beber água e abastecer os cantil´s e depois é que vem o martírio desta primeira jornada. A nossa frente estava uma subida com mais de 5km pelo meio de uma montanha inóspita, sem árvores para termos sombra e um caminho penoso, porque era só rochas e muito muito difícil para se caminhar, só mais tarde em Vilar de Barrio nos disseram que esta subida é conhecida como "a Parede" devido ao seu elevado grau de dificuldade.... Na verdade os primeiros 1000metros não custam e leva-nos a pensar que a subida não custa, o pior vem de seguida. Começam as pernas a fraquejar, o peso da mochila a ser demasiado para as nossas costas, o calor insuportável(era 13h+-, com a temperatura a rondar os 30g!). A nossa volta apenas montanhas inóspitas, ao longe um rebanho de cabras a esconderem-se do calor abrasador, e a subida que não acabava nunca. A meio passo por muitas dificuldades, vejo-me a sentar-me sem forças a vomitar e a correr o risco de ficar desidratado, porque água aqui já era muito muito pouca. Descanso um minuto e começo com afinco a subir outra vez, quando vejo o Canário a passar dificuldades a ter de parar também... ele disse para eu continuar que ele já me seguiria. Depois de muito esforço e extrema dificuldade chego ao cimo e o que eu encontro? Uma placa a dizer "bar a 1,5km!" e ai o animo elevou-se e ai fomos nós. Chegados ai,encontramos algo digno de ser admirado, fotografado e lembrado. Um bar cujo a decoração são vieiras dadas pelo dono( um senhor que já fez todos os Caminhos de Santiago), onde nós depois de colocarmos o nosso nome, e o país de onde somos originários ele prega-as nas paredes ou tecto! Todo o bar esta cheio de vieiras, uma coisa impressionante. Depois de comprido este ritual e de um aquários bem fresquinho ai vamos nós a caminho de Vilar de Barrio. A partir daqui o Caminho já é mais plano e ficam a faltar "apenas" uns 5km para a chegada, sendo que destes 2 são uma descida íngreme, óptima para as articulações dos nossos joelhos.... Aqui é só quero destacar uma Cruz enorme em madeira que se encontra antes de começar a descida final, e que a tradição manda que coloquemos ai uma pedra.
A chegada a Vilar de Barrio foi já um pouco penosa, visto que o calor e os km´s já se faziam sentir no nosso corpo. Chegados ai foi ir ao albergue, colocar as nossas coisas, tomar um banho e ir conhecer a vila e escolher um lugar para almoçarmos/jantarmos. Depois foi esticar as pernas e preparar o próximo dia.
De sublinhar que esta etapa andamos cerca de 40km!

sábado, 10 de julho de 2010

Partida

São 7:30h da manhã toca o despertador e lá me levanto eu para o inicio de uma semana de peregrinação e aventura rumo a Santiago de Compostela. Depois de uma banhoca tomada e de um pequeno almoço reforçado verifico a mochila novamente e oiço a minha mãe a dizer que eu sou louco, para levar comida, roupa, etc... as preocupações das mães. Saio de casa apanho uma boleia para a Portela de Sª Eulália e de la para Vila Pouca de Aguiar. Chegado ai já era alvo de olhares de espanto por parte de algumas pessoas por ver alguém com uma mochila as costas e com o bastão tradicional de S.Tiago (bastão em madeira em forma de cruz no cimo, com uma cabaça e uma vieira), dirijo-me a estação dos autocarros e ai vou em direcção a Chaves. O meu plano original era começar a caminhar em Chaves mas devido ao facto de não conseguir arranjar a credencial de peregrino aqui e de os caminhos não estarem bem sinalizados levou-me a decidir começar em Verin. Talvez na próxima já comece daqui. Em Chaves primeiro contratempo, não existem transportes para Verin, depois de alguma hesitação e sem mais nenhuma hipótese apanhei um táxi e fui ate Verin e aqui lá voaram 30e!! Chegado aqui, foi começar a procurar o albergue dos peregrinos para pedir guarita e verificar se tinham credencial/passaporte de peregrino. Depois de andar algumas dezenas de metros e de perguntar a algumas pessoas la encontro eu o albergue. Um edifício antigo totalmente em pedra com um brasão enorme. Deparei-me com um albergueiro muito simpático e atencioso que me colocou logo a vontade. Fui me instalar e constatei que só estava aqui um peregrino. Trocamos um "buenas tardes" e fui visitar a cidade, tirar umas fotos. De volta ao albergue pude conversar mais com o peregrino que ai estava para pernoitar. Era um senhor de 50 e poucos anos da ilha Canária que tinha feito a Via de La Plata desde Sevilha (qualquer coisa como 1000km atá S.Compostela) e que se tinha enganado em A Gudiña e tinha vindo ter a Verin, um desvio de 30km +- que segundo ele não era nada para quem já tinha andado quase 900km... depois de algum tempo a falarmos concordamos em sair os dois no outro dia de manhã bem cedo porque ele tinha-se perdido de um grupo e para ver se o alcançávamos em Laza. depois foi preparar-me para jantar para vir dormir que no outro dia começava a doer a peregrinação.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Preparação da Viagem

A preparação desta viagem teve de ser feita com alguma antecedência, consultei vários blogues de outros peregrinos, nomeadamente para pesquisar o material/equipamento básico que necessitamos para a viagem. Entrei em contacto com um casal muito simpático que tem um blogue com a descrição da viagem que tinha realizado neste mesmo ano pela "Via de la Plata", que era o caminho que eu queria fazer este ano. Este caminho é bastante mais longo do que o "Caminho Português" que eu fiz em 2000, sao mais ou menos mais 120km. Depois de feita a pesquisa, começar a preparar a mochila, com o mínimo essencial para que o peso seja o menor possível. Então para esta viagem na minha mochila levei:
- uma toalha;
- 8 pares de meias;
- umas sapatilhas;
- estojo de higiene pessoal;
- kit primeiros socorros(ligas, mercúrio, pomada pisado e anti-inflamatórios);
- um par de calças de fazer caminhadas( sporzone a 5euros);
- 3tshirt´s;
- uma camisola;
- uns calções;
- um chapéu ou boné;
- um caderno para escrever o diário;
- maquina fotográfica;
No total a mochila pesava mesmo assim uns 10kg mais ou menos. Depois desta tarefa feita, verificar os cartões de memoria da maquina fotográfica, preparar o plano da viagem, marcar no mapa do caminho as etapas que iria realizar em cada dia para assim ter a noção de quantos dias iria necessitar para fazer o caminho. Em seguida fazer o orçamento para delinear quanto dinheiro iria gastar no total da viagem, sendo que fiz um orçamento da seguinte maneira:
Gastos Diários:
- preço do albergue: 5e
- refeição: +- 8e
- outros(gastos em agua,sumo, bolachas para comer durante a caminhada): 5e
total= 20e+-
Outros Gastos:
- transportes de Santiago para Vila Real: +- 28e
- recordações: 30e
total= 60e +-
total da viagem = 60 + (20*6)=180/200e
Sendo que estes gastos são sempre muito relativos, pois variam mediante o que se gasta durante cada dia, mas em media não paguei mais que 7/8e por refeição e durante a viagem nunca gastei mais que 3/4euros.
Posto isto não me restou mais nada senão colocar tudo em ordem e ir descansar porque amanha começa a jornada.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Preparação mental da Viagem


Este diário de peregrino diz respeito á viagem que eu fiz a Santiago de Compostela no ano de 2010. Pareceu-me de alguma relevância passar esta experiência para um blogue de modo a que mais pessoas que possam querer fazer a viagem possam encontrar aqui algumas informações relevantes.
Antes de mais eu já planeava fazer esta viagem desde 2001 ano em que fiz a minha primeira peregrinação a Santiago de Compostela. Por coincidência calhou novamente num ano santo compostelano. Surgiram-me várias dúvidas quando estava a planear a viagem, desde que "Caminho" fazer? Quanto dinheiro iria gastar? O que teria que levar? Onde arranjar a "Credencial de Peregrino"? Quantos dias iria levar a fazer o caminho? E, acima de tudo, se a minha condição física não me iria afectar, visto não estar nada bem preparado fisicamente. Outra das minhas incertezas prendeu-se com o facto de mais uma vez não encontrar ninguém que me quisesse acompanhar nesta jornada espiritual e aventureira.