quarta-feira, 14 de julho de 2010

Dia 4- S. Cristóvão de Cea - Laxe (37km)

Mais um dia de peregrinação intenso, onde a dor, o sacrifício, a emoção e o sentido de peregrino fizeram mais sentido.
São 5.30H da manhã hora espanhola, menos uma em Portugal e o despertador toca e começa a azafama para mais um dia de jornada. Depois de pequeno almoço tomado e mochila previamente aprovisionada, falo com o casal e os filhos e saímos bem cedo onde bem cedo ficou evidente que ia ser um dia quente e de uma jornada difícil. O plano inicial era ficar no albergue de Dozón que ficava a 14km de Cea. Mas desde bem cedo que me apercebi que ia ser uma jornada onde iria andar praticamente sozinho, porque os filhos do casal não estavam preparados para fazer o caminho e isso notava-se perfeitamente no seu ritmo. Os primeiros km foram muito fáceis de fazer, pois foi quase sempre pelo meio de pastagens e pequenos bosques, o que pela manhã é óptimo, pois só ouvia-mos o cantar dos pássaros e dos cursos de água, e onde a azafama da populações das aldeias já era bem evidente. Sentia-se o cheiro a feno, a flores campestres, nos caminhos adjacentes aos campos de feno que estava agora a ser recolhido. Aqui fizemos uma pequena pausa de cerca de 5m, para comer uma peça de fruta e relaxar um pouco a sombra porque em seguida vinha ai uma parte já mais complicada com uma subida não muito íngreme mas longa e caminhar por entre montanhas antes de chegar a próxima povoação.
Uma ressalva e a minha vénia para a simpatia dos habitantes das pequenas aldeias por onde passamos é contagiante e reconfortante, estando sempre disponíveis para nos fornecer água e fruta, o que nos dá um animo extra para estas jornadas longas e extenuantes devido ao calor violento que se faz sentir.
Quando a subida referida anteriormente nem a a meio já eu levava uns 300m de distancia do casal e dos filhos. Depois da subida, era um espectáculo a vista que se tinha do cimo destas montanhas para o que nos rodeava, sendo que agora era caminhar a uma altitude onde o calor ainda não se fazia sentir, aqui em cima dava perfeitamente para ver a distancia que já levava para o casal. Segue-se uma descida acentuada em direcção a Dozon. Chegado aqui, dirigi-me a um café e esperei ai pelo grupo. Tirei a mochila, e sentei-me no chão para esticar as pernas enquanto degustava um café que sendo muito mau, nesta altura parecia óptimo...Começam a chegar também um grupo de peregrinos maioritariamente jovens que iam para Laxe mas com a diferença de terem carro de apoio a acompanha-los. Ainda era muito cedo e depois de falarmos uns minutos, decidimos ir até Laxe, visto que ainda era muito cedo, sendo que ainda era uns 23/24km até la, o casal toma uma decisão importante, decide que os filhos apanhem aqui um autocarro até Cea, tinham lá o carro e que viessem ter com eles a Laxe, porque não estavam em condições para seguir caminho. Nós depois de retemperadas as forças voltamos a por os pés ao caminho em direcção a Laxe, a caminhada ai a um ritmo lento porque o homem não se estava a sentir já nas melhores condições, sendo que não foi pior porque parte do caminho é por grande bosques e onde o calor ainda não era muito intenso, mesmo assim á chegada a uma aldeia paramos num café, e ai o casal disse-me para eu seguir o meu caminho porque o homem não estava a aguentar o ritmo e não me queriam prejudicar. Vi-me sozinho com o calor a começar a apertar, com as dores no pé a começarem a aumentar e a tentar me mentalizar que a partir daqui era uma jornada solitária. Depois de uns kms por asfalto, que me deixou ainda mais cansado, vejo-me a atravessar um viaduto de uma auto estrada e a partir daqui perco o rasto a sinalização do caminho e ando perdido uns 500m perdido, volto para trás, e sigo por outro caminho que vai dar a uma aldeia e ai pergunto a direcção para Laxe e uns metros mais adiante recupero a sinalização dos caminhos e sigo. Depois de uma descida extenuante e sem agua..a minha moral esta de rastos. Chego a uma localidade e ai encontro uma fonte com agua fresquinha, onde me recomponho e vejo que a faltam "apenas" uns 8/10km para Laxe. A moral sobe, mas passado os dois primeiros kms depressa diminui porque o caminho nesta fase era péssimo, só asfalto e subidas íngremes sobre um sol abrasador, porque era umas 14h da tarde, deviam estar uns 30g! Esta subida, associada ao calor a as condições em que se encontrava o meu pé acabaram por se tornar difíceis mas sem sacrifico os caminhos não tinham o significado que têm. No cimo da subida encontro um café, local de paragem de praticantes do desporto equestre, tomo um aquários para recuperar forças para um esforço final em direcção ao albergue.
A chegada a Laxe foi feita sobre um calor parvo, com o caminho sempre paralelo a uma autoestrada o que tornava o calor ainda mais sufocante. Laxe é uma vila industrial que praticamente não tem nada junto ao albergue, cafés,restaurantes ficavam a 2km na zona industrial. Chegado ao albergue, um albergue novo todo em madeira, com óptimas condições, tomo um banho para relaxar e ai conheço dois peregrinos que estavam a fazer o caminho de bicicleta.Vamos todos almoçar/jantar e ver a o jogo da Espanha para depois vir para o albergue descansar que no dia seguinte vinha ai mais um dia de caminhada longo.

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