domingo, 11 de julho de 2010

Dia 1- Verin - Vilar de Barrio (34km+-)

Ai está o primeiro dia de peregrinação propriamente dita. São 5:30h da manhã hora de Espanha e toca a levantar. Preparar o pequeno almoço, meio litro de leite, bolachas e uma peça de fruta, muitos se devem perguntar o porque de tanto leite? Porque é uma excelente fonte de cálcio e porque nos espera uma longa caminhada sem tempo para comer. Depois do pequeno almoço tomado, hora de arrumar a mochila e preparar para a partida. São 6H em ponto e já o Canário (nome pelo qual eu carinhosamente tratava o peregrino da ilha Canária) estava a dizer que era hora de começar a "marchar", mochila as costas, bastão na mão e começa a aventura. Cá fora mal se vê ainda, vamos caminhando pelas margens do rio Tâmega. Só ao fim dos primeiros 5km +- é que o dia começou a clarear. Depois de vários km´s a caminhar apenas por asfalto, decidimos não seguir o caminho sinalizado e seguir pela estrada porque era mais a direito. Por volta das 9 da manhã chegamos a primeira vila e onde á partida eu tinha planeado acabar a minha primeira etapa, mas para o Canário isso era muito pouco, e realmente ainda era muito cedo e podíamos perfeitamente andar ate ao próximo albergue, descansamos uns 5/10minutos, mudei o meu calçado, tirei as botas e calcei as sapatilhas e mais uma peça de fruta e ai vamos nós. Mal imaginava eu o que vinha ai....A partir daqui começamos a seguir o "Caminho", depois de alguns km chegamos a uma aldeia onde aproveitamos para beber água e abastecer os cantil´s e depois é que vem o martírio desta primeira jornada. A nossa frente estava uma subida com mais de 5km pelo meio de uma montanha inóspita, sem árvores para termos sombra e um caminho penoso, porque era só rochas e muito muito difícil para se caminhar, só mais tarde em Vilar de Barrio nos disseram que esta subida é conhecida como "a Parede" devido ao seu elevado grau de dificuldade.... Na verdade os primeiros 1000metros não custam e leva-nos a pensar que a subida não custa, o pior vem de seguida. Começam as pernas a fraquejar, o peso da mochila a ser demasiado para as nossas costas, o calor insuportável(era 13h+-, com a temperatura a rondar os 30g!). A nossa volta apenas montanhas inóspitas, ao longe um rebanho de cabras a esconderem-se do calor abrasador, e a subida que não acabava nunca. A meio passo por muitas dificuldades, vejo-me a sentar-me sem forças a vomitar e a correr o risco de ficar desidratado, porque água aqui já era muito muito pouca. Descanso um minuto e começo com afinco a subir outra vez, quando vejo o Canário a passar dificuldades a ter de parar também... ele disse para eu continuar que ele já me seguiria. Depois de muito esforço e extrema dificuldade chego ao cimo e o que eu encontro? Uma placa a dizer "bar a 1,5km!" e ai o animo elevou-se e ai fomos nós. Chegados ai,encontramos algo digno de ser admirado, fotografado e lembrado. Um bar cujo a decoração são vieiras dadas pelo dono( um senhor que já fez todos os Caminhos de Santiago), onde nós depois de colocarmos o nosso nome, e o país de onde somos originários ele prega-as nas paredes ou tecto! Todo o bar esta cheio de vieiras, uma coisa impressionante. Depois de comprido este ritual e de um aquários bem fresquinho ai vamos nós a caminho de Vilar de Barrio. A partir daqui o Caminho já é mais plano e ficam a faltar "apenas" uns 5km para a chegada, sendo que destes 2 são uma descida íngreme, óptima para as articulações dos nossos joelhos.... Aqui é só quero destacar uma Cruz enorme em madeira que se encontra antes de começar a descida final, e que a tradição manda que coloquemos ai uma pedra.
A chegada a Vilar de Barrio foi já um pouco penosa, visto que o calor e os km´s já se faziam sentir no nosso corpo. Chegados ai foi ir ao albergue, colocar as nossas coisas, tomar um banho e ir conhecer a vila e escolher um lugar para almoçarmos/jantarmos. Depois foi esticar as pernas e preparar o próximo dia.
De sublinhar que esta etapa andamos cerca de 40km!

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