Este segundo dia de peregrinação fica marcado por ser o mais longo de todo a peregrinação, onde caminhamos cerca de 40km. A partida de Vilar de Barrio foi a bem cedinho por volta das 6 da manha hora de Espanha, onde praticamente ainda não se via nada. Manha fresquinha, com muito orvalho e algum nevoeiro, boa para caminhar, mas também requeria mais atenção por causa da sinalização, por isso aproveitar ao máximo antes que o sol aparecesse. Esta etapa em termos de dificuldade não apresenta um grau muito elevado, apenas o elevado número de km´s. Os primeiros 14km de Villar de Barrio até Xunqueira de Ambia foram feitos a um bom ritmo por caminhos essencialmente planos pelo meio de grandes terrenos de cultivo e depois por terrenos onde abundavam as árvores. Perto de Xunqueira de Ambia alcançamos uns peregrinos de Vilar de Barrio com quem tínhamos falado na véspera e que também iam fazer a peregrinação. Fomos juntos mais ou menos 2km e depois eles seguiram porque nos tínhamos mais peso nas costas e não podíamos seguir o ritmo deles sob pena de "arrebentarmos" a meio do caminho. Xumqueira de Ambia, uma vila muito interessante com uma igreja de estilo românico muito bonita. Paramos num café por 5m para bebermos algo quente, tirar umas fotos e repormos as forças e continua a marcha.
A partir daqui a dificuldade começa a aumentar substancialmente, muito caminho por asfalto e com isso os pés a pagar a factura. É nesta altura que me deparo com uma dor fortíssima no pé direito que me vai atormentar até ao fim da peregrinação. Grandes descidas em direcção a zona industrial de Ourense, o calor a começar a apertar apesar de ainda estarmos apenas no final da manhã. Passar a zona industrial de Ourense torna-se um martírio porque aliado o calor com o asfalto os começamos a ficar muito mais desgastados e a pedir que Ourense chegue rapidamente. Para a jornada ser perfeita a saída desta zona industrial uma subida bastante íngreme em direcção a ultima aldeia antes de entramos em Ourense. Na zona industrial eu e o Canário separamo-nos porque eu tive que parar por causa do meu pé e ele seguiu, sendo que nos encontramos a entrada da cidade outra vez. Nesta ultima aldeia parei mais uma vez por um minuto para tirar umas fotos e descansar o meu pé porque as dores eram insuportáveis, foi quando umas senhoras muito amáveis me perguntaram se eu necessitava de alguma coisa e a desejar-me bom caminho. A entrada da cidade la nos juntamos outra vez e seguimos em direcção ao albergue, que fica situado no cimo da cidade num antigo mosteiro franciscano se não estou a errar. Foi o albergue mais bonito que encontrei em todo o caminho, de dimensões incríveis, onde as condições são excelentes e onde encontramos o albergueiro mais simpático, sempre disponível para nos ajudar em qualquer coisa. Cheguei ai em grandes dificuldades por causa do meu pé, mas depois de um bom banho ja estava muito mais animado. Mais animado fiquei porque o grupo com quem o Canário vinha antes de se ter enganado estava ali também e depois de os conhecer fomos todos almoçar e conhecer a cidade, cujo o centro histórico é lindíssimo, onde se destaca a Sé de Ourense e as termas romanas. Depois foi recolher ao albergue e tentar descansar ao máximo porque o meu pé não me estava a dar tréguas.
Sem comentários:
Enviar um comentário