Ai está o dia mais aguardado, a ultima etapa antes de Santiago. Acordamos cedo, a adrenalina e a ansiedade era mais que muita. Depois de saco preparado e uma sandocha com um sumo começa a caminhada. Está a começar a clarear o dia, céu mais uma vez azul, com muito orvalho o que requeria mais cuidado ao caminhar sob pena de molharmos os pés e para o ultimo dia não valia pena correr riscos desnecessários. O sorriso e a alegria do garoto de que estava prestes a conseguir realizar um feito único para a idade dele eram bem evidentes, assim como a tenacidade e perseverança da mãe dele, que mesmo com o joelho numa lástima nunca desistiu tornando-se numa força inspiradora para nós. Saímos de Padrón em direcção a Colegiade de Santa Maria de Iria Flavia, antiga sede episcopal antes de ser transferido para Santiago, tendo como curiosidade o facto de se associar este local a um dos maiores expoentes das letras galegas- o Nobel Camilo José Cela que nasceu aqui junto a basílica. Passado esta zona vem um troço pela terrível N550, com camiões com o barulho e o asfalto nos pés a fazerem estragos, é o pior que temos que atravessar no caminho todo, os troços do caminho que a autoestrada cortou, é penoso e difícil o garoto nesta fase foi-se um pouco abaixo, mas eu como no meu bastão de apoio levava uma bandeira do Benfica e Portugal causava impacto nos camionistas portugueses que passavam com estes a buzinar, o que o garoto achava divertido e ia sempre perguntando coisas sobre o clube, sendo que ele era um adepto fanático do Bétis de Sevilha. Saindo da N550 entramos num aglomerado de aldeias, com as pessoas a saudarem-nos e a darem incentivo e força dizendo que estávamos quase a chegar ao destino, para depois entramos em Faramello e é aqui que deixamos a maldita N550 pela ultima vez. É a partir daqui que por entre uma linha do caminho de ferro vamos seguindo caminho e onde já pressentimos que um grande centro urbano está próximo pela descaracterização da zona de periferia e diluição dos subúrbios. A nossa alegria era imensa porque chagamos ao ultimo arrabalde urbano antes de Santiago, o lugar de Milladoiro, sendo que aqui a emoção subiu imenso, pois já avistamos as torres da Catedral de Santiago. Falta muito pouco para a chagada mas nem por isso deixou de ser fácil, a entrada na cidade de Santiago de Compostela pelo caminho Português não é fácil, tem uma ultima subida, a famosa subida de Choupana que nos deixa de rastos, sendo que no cimo da subida chegamos a um parque onde estivemos ali uns bons minutos a descansar e a repor as forças, com um sumo rico em açúcar e vitamina C para repor as energias. Depois das energias repostas seguimos em direcção a Alameda da Ferradura, onde fica a a famosa porta Faxeira, entrada tradicional do Caminho Português de Santiago, quando passamos esta porta começam as lágrimas a correr porque depois de todo o sacrifício e aventura desta semana a simbologia de passar esta porta faz-nos sentir como que sentido de dever cumprido. É depressa que passamos pelo emaranhado de ruelas que compõem a parte medieval e chegamos a Rua de Franco que no leva directamente à famosa praça do Obradoiro e a Catedral.
Chegados aqui a emoção tomou conta de nós, olhamos uns para os outros e a primeira reacção foi de nos abraçarmos e agradecermos a Deus e ao Apóstolo por tudo ter corrido bem. Deito-me no meio da praça a contemplar o esplendor da visão que é olhar para esta catedral, uma coisa assombrosa, sentimo-nos pequeninos e insignificante perante a dimensão do edifício e de toda a simbologia que esta carrega. Passado o "choque" da chegada partimos em busca de um lugar para pernoitar visto que os albergues de Santiago ficam desviados do centro, depois de alguma procura encontramos 2 quartos duplos que partilhamos. Depois de acomodados e de um bom banho, partimos para a Catedral.
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