São 6h da manhã, toca a acordar para me preparar para começar a jornada, juntamente comigo apenas os três peregrinos que tinha encontrado no dia anterior se encontravam no albergue. Tínhamos combinado fazer o caminho juntos, por isso vou fazer aqui uma referência a essas três pessoas que me marcaram profundamente. Esses peregrinos eram duas senhoras na casa dos 40 anos, de um porte atlético que impunha respeito, uma de cabelos loiros e pele clara, parecendo mais uma mulher dos países nórdicos que espanhola da zona da Andaluzia, sendo que a amiga era o oposto, típica mulher espanhola, com pele morena e magnificamente bem tratada, cabelo muito curto, "à rapaz" como dizem os velhotes da minha aldeia e um rosto de onde sobressaem os olhos negros. A acompanha-las um pré adolescente de 13 anos, filho da senhora loira, cheio de motivação para fazer o caminho. Eram peregrinos de Sevilha, sendo que mãe e filho eram estreantes tal como eu, enquanto a senhora morena já era veterana nestas coisas de Caminhos de Santiago, já tinha feito o Caminho Português e o Caminho Francês, estando por isso bem preparadas e apetrechadas para fazer o caminho. Eram 6:30 da manhã quando saímos do albergue, estava uma manhã de nevoeiro, mas temperatura agradável, com muito orvalho e ainda bem porque assim ficava mais fácil caminhar. Os primeiros 5 km´s foram terríveis por causa da sinalização, porque havia muitas obras e tivemos bastantes dificuldades em encontrar algumas das setas indicativas do caminho, mas recompensador por outro lado porque aqui encontra-se uma das zonas mais bonitas desta etapa- o Vale do Louro, um espaço bucólico onde apesar do rio bastante poluído das industrias de Porriño, a paisagem faz-nos esquecer este pequeno pormenor. Um detalhe, é obrigatório fazer um descanso a entrada da ponte das Febres onde morreu com a peste negra há 750 anos o Bispo de Tui San Telmo, no regresso de uma peregrinação a Santiago. A meio da manhã fizemos uma pausa de 20 minutos para tomar o pequeno-almoço. Combinamos fazer pausas de 5 minutos a cada 5 km´s de modo a não ser muito violento para o garoto, visto que era um estreante e tratava-se de um garoto. O primeiro teste surgiu quando chegamos a zona industrial de Porriño, em que tivemos que atravessar o Polígono Industrial, meia dúzia de km´s terríveis, sobre um sol abrasador, asfalto e poluição. Depois deste teste, seguimos em direcção a Chan das Pipas, aqui fizemos uma paragem para respirar e contemplar a maravilhosa vista sobre a Ria de Vigo, um espetaculo deveras saboroso para nos dar alma para o que restava do caminho. No entanto este animo seria de pouca dura, um imprevisto aconteceu, numa descida muito íngreme, já a pouco menos de 5 km´s da chegada a Redondela, a mãe do garoto faz uma entorse num dos joelhos, ficando este imediatamente super inchado ficando com mobilidade bastante reduzida, acabando os últimos km´s com muita dificuldade e sofrimento. Chegamos ao final da tarde a um albergue magnifico, a famosa Torre do Relógio no centro da cidade, exaustos mas felizes por termos conseguido terminar esta primeira etapa.
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| (imagem tirada do blog: http://canevare.blogspot.com) * |
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(imagem tirada do blog: http://cronicasdeumvagamundo.blogspot.com)*
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nota: todas as imagens são tiradas de sites e blogs porque na altura não possuía maquina fotográfica, recorrendo por isso a imagens das várias etapas do caminho para ilustrar estas mesmas etapas.
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