quarta-feira, 13 de março de 2013

Partida

Depois de uma noite muito mal dormida, acordo as 6 da manhã e coloco as ultimas coisas na mochila, tomo o pequeno almoço, despeço-me da minha mãe e sigo em direcção há paragem do autocarro. Depois de uma viagem de autocarro em direcção a Braga que foi um calvário porque pareciam as antigas viagens de comboio porque paravam em todas as estações e apeadeiros. Depois de quase 3 horas de autocarro, foi seguir em direcção a estação dos caminhos de ferro da cidade para ver os horários para a cidade de Valença. Como ainda tinha algum tempo livre, aproveitei para andar um pouco pelo centro da cidade. Entro  no comboio e começa uma viagem linda que aconselho toda a gente a fazer, é uma delicia estar ali sentado no comboio e irmos ali deleitados a apreciar a paisagem, visto que é quase sempre junto há costa. Chego a Valença e dirijo-me ao porto de turismo para tentar obter a Credencial do Peregrino, para me permitir pernoitar no albergue de Tui, mais um contratempo pois não tinham credenciais, disseram para procurar na cidade espanhola no porto de turismo. Depois de uma curta visita ao centro histórico de Valença começo a caminhada em direcção a Tui. Respiro fundo e olho para ponte internacional que liga Portugal a Espanha, juro que me meteu um pouco de impressão, porque detesto alturas e aquela ponte impressiona. Com a cidade de Tui no horizonte, sigo a caminhada, chego a entrada da cidade e fico impressionado com o centro histórico mais concretamente com a Catedral de Tui. Antes de contemplar a catedral e os seus famosos claustros dirijo-me ao posto de turismo, com o mesmo propósito da minha visita ao posto de Valença, sendo que a resposta foi a mesma, que não tinham a credencial, mas que na Catedral de Tui o podia obter. Faço imediatamente o trajecto em direcção a Catedral para falar com o capelão. Um senhor muito afável, de idade  avançada, perguntei se podia obter a credencial, obtendo resposta positiva. Fomos para a Sacristia onde o sr. capelão preenche a credencial com os meus dados e depois disse que tinha um custo de ...20 cêntimos. Fiquei estupefacto com o valor, um valor simbólico por um documento tão importante. Depois de uma breve oração na catedral, e da bênção do capelão, sigo para o albergue de modo a me acomodar e deixar a mochila para poder visitar a cidade comodamente. Chegado ao albergue este encontrava-se fechado, estando 3 peregrinos sentados na escadaria em frente à porta (três pessoas importantíssimas na minha peregrinação!) e perguntam se eu sou peregrino e se ia fazer o Caminho Português, anui que sim e travamos ai uma breve conversa. Depois de comodamente instalado sigo em direcção da catedral e dos claustros majestosos, com uma vista sobre o rio Minho e a cidade de Valença sigo a visita pelo centro histórico da cidade com a praça central repleta de gente no descanso depois de mais um dia de trabalho. Sento-me numa esplanada a desfrutar de um  café (horrível! o café em Espanha é muito mau!!) para pensar no que iria começar na manhã seguinte e a preparar-me mentalmente. Café tomado, vou a uma cabine telefónica para telefonar para casa para dizer que estava bem e que tinha corrido bem a viagem, depois de me despedir da minha mãe entre soluços e lágrimas nos olhos, vou para o albergue esperar pela hora do jantar. O jantar é num restaurante típico com os três peregrinos que estavam no albergue, e por entre saladas e ameijoas das Rias Baixas combinamos começar a peregrinação todos juntos, de modo a podermos nos apoiar nos muitos km´s que tínhamos pela frente. Depois do repasto, fomos descansar para o albergue. Amanhã começava a verdadeiramente a aventura.

Catedral de Tui

(sinalização oficial dos caminhos com o numero de km´s que faltavam para  Santiago )

Ponte Internacional de Valença

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